Opinião

O país dos mínimos

Ana Pedrosa-Augusto


Somos o país do salário mínimo de tantos trabalhadores qualificados e/ou experientes.

Somos o país do orçamento mínimo de todas as instituições de que necessitamos desesperadamente: da saúde que não tem gestão racional e capaz; da educação que não aposta no que deve; da segurança que não é apta a pagar o risco.

Somos o país onde a ambição fica no mínimo, para ninguém ser diferente.

Só temos um máximo, o dos impostos. Aí o pódio é nosso! Reflitamos bem nisto: salário ínfimo, impostos brutais, serviço público deficitário. Haveria mais mínimos para juntar a esta lista (já máximos nem por isso). Mas como não gosto de ser ou soar demasiado pessimista, porque não o sou, vou restringir a enunciação.

O que não deixa de ser impressionante nesta equação é o facto de se esperar um resultado diferente de uma atuação sempre igual, de uma gestão sempre igual. Teremos no início do próximo ano oportunidade de alterar a fórmula. De deixarmos de ter uma gestão que aponta exclusivamente para o mínimo porque tem um preconceito ideológico contra o que proporcione mais. De procurar racionalidade e frontalidade nas decisões, ao contrário da propaganda desmedida que esconde a realidade em que vivemos, pintando-a como boa. De dar lugar a criação de riqueza e não a destruição de valor.

Temos que escolher o nosso caminho, que tem que deixar de ser feito de objetivos mínimos, de permanecer curto, sofrível e de mera sobrevivência. Queremos viver e não trabalhar apenas para pagar o Estado. Queremos trabalhar para nós. Para nos valorizarmos. Para crescermos. Para sermos melhores. Para gozarmos.

Não basta acenar com dinheiro e atirar notas ao ar, há que gerir valor, reconhecer o mesmo e criar raízes para a sua multiplicação. Para isso, é fundamental acreditar nas empresas nacionais. Este nosso tecido é resiliente. É capaz. Investe, sustenta e suporta a nossa economia, a nossa até agora subsistência e a nossa futura competitividade. É nelas que é necessário apostar. É a elas que deveremos aliviar. Todos vimos já as contas que compõem um salário. Todos sabemos os encargos que empresa e trabalhador têm que suportar. São custos fixos não flexíveis e não adaptáveis em caso de necessidade. E ainda se pretendia agora mais rigidez, não se compreendendo que o mercado laboral e os seus agentes não são diamante que não parte, não se percebendo que a rigidez apenas contribuirá para a atuação paralela e fora de norma.

Desconsiderar as empresas e o seu papel é desconsiderar quem agiliza o emprego. Quem o cria, mantém e aumenta. Mas ainda não é possível multiplicar, porque até para pagar o mínimo os encargos são brutais.

Hoje temos dificuldade em acreditar em liderança política do país, é certo, mas cabe-nos legitimar quem poderá permitir uma efetiva liderança económica por parte do nosso tecido empresarial, com a consciência de que se fizermos o mesmo, nunca poderemos ter resultado diferente e continuaremos no país dos mínimos.

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