Opinião

O Jorge, para mudar a sério!

Ana Rita Cavaco


O país desconfia do PSD porque o partido mais português de Portugal esqueceu-se do lugar que deve ocupar na sociedade. A crise no espaço não socialista nasce do silêncio ao qual o PSD se entregou sobre bandeiras que eram suas: o elevador social, o mérito, o apoio aos pequenos comerciantes, empresários e profissionais liberais, a defesa de um modelo de Estado Social que funcione verdadeiramente, a valorização dos recursos humanos dos serviços públicos e o ímpeto reformista.

Portugal desconfia do PSD porque o partido acomodou-se, fixou-se no umbigo e esqueceu-se da história de transformação e progresso que sempre representou. Deixámos que as sucessivas guerrilhas internas nos desfocassem do essencial. Numa altura de poder hegemónico socialista, os portugueses querem saber, de forma clara e sem hesitações, qual o nosso modelo alternativo, o que nos distingue verdadeiramente deste PS. Para isso, é urgente que o partido saiba abrir-se à sociedade civil, recolhendo contributos de gente que não mora no aparelho e que nos ajude a desenhar um caminho completamente novo.

No próximo sábado, a escolha é entre a mudança a sério, ou o PSD do passado. Apoio o Jorge Moreira da Silva porque tive a honra de fazer grande parte do meu percurso de liberdade ao seu lado. Foi assim quando, por várias vezes, fui eleita em listas não apadrinhadas pelo poder instalado, lideradas pelo Jorge e encabeçadas pelo Miguel Goulão.

O princípio do respeito liberdade é, para mim, essencial na hora de escolher uma liderança. O PSD precisa de um presidente que abra espaço ao pensamento livre, longe de qualquer tipo de condicionante. Enquanto outros dizem “cuidado”, o Jorge grita “voa”. Enquanto uns calculam, o Jorge atreve-se, arrisca, rasga as ideias feitas e traz sempre algo novo. É disto que o nosso PSD precisa, de alguém que não pede licença para existir, tomar posição e contrariar grupos de pressão ou influência. Porque as pessoas estão cansadas de lideranças embaladas por almas calculistas que gravitam na órbita dos partidos à espera que lhes calhe qualquer coisa. Foi assim que o PSD começou a afastar-se do País.

Sábado é dia de decisões. Ou escolhemos mudar a sério, ou perderemos uma oportunidade de devolver o partido ao País. Porque enquanto outros segregam, o Jorge aglutina, tem a energia e a inteligência capazes de reunir os melhores dos melhores. Para o Jorge, o PSD não é das estruturas, dos caciques ou dos amigos. Na verdade, precisou sempre muito mais a estrutura das ideias dele, do que ele precisou de qualquer estrutura. O partido do Jorge é aquele em que acredito: livre, aberto, reformista, capaz de apresentar um caminho novo que nos afaste do socialismo.

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