Opinião

O Cavaleiro do Apocalipse do Apóstolo Morão

Aline Hall de Beuvink


Quando Fernando Medina pensava que os seus males tinham terminado com a responsabilização do ex-ministro Pedro Nuno Santos no caso Alexandra Reis, eis que surge uma assinatura para o assombrar. A nomeação política, com justificação técnica, de Joaquim Morão para ser coordenador da EICM, além de dois ajustes directos, é a razão das buscas da PJ. Medina não é suspeito, mas alguns dos seus actos estão sob suspeita, como os despachos em 96,3 mil euros por 25 meses. O ministro das Finanças já veio dizer que quer ser ouvido, tomando a responsabilidade - finalmente! - da contratação como uma escolha sua. Bom, desde o caso Russiagate que Medina não tem tido sorte. Parece que se tornou o cavaleiro da peste do PS. Perdeu a Câmara de Lisboa, agora piora a imagem do Governo com mais um escândalo envolvendo dinheiros públicos. Para quem é responsável pelas finanças do país, não será muito saudável. Não basta sê-lo, há que parecê-lo. E isto já parecem as trombetas do Apocalipse para António Costa. Tinha deixado a câmara em Março de 2015 e, pouco tempo depois, Medina tomava conta e a fazer esta contratação. Old sins cast long shadows. Aí vem ele no cavalo branco, no intuito de conquistar, qual primeiro cavaleiro do Apocalipse, sendo o Apóstolo, afinal, Joaquim Morão. Está preso por fios no Governo, mais algum escândalo e é capaz de cair. Será mais um. Costa ainda o vai segurando; agora, por quanto tempo se aguentará em cima do cavalo branco? Entretanto, a ordem dos cavaleiros já apareceu invertida, pois Pedro Nuno Santos já iniciou o percurso com o cavalo encarnado da guerra. Faltam o negro e o amarelo. Até chegar o fim do mundo para o PS.