Opinião

Novos tempos em Lisboa

Carlos Reis dos Santos


Esta segunda-feira, dia 26, faz um ano que os lisboetas deram a Carlos Moedas uma vitória notável. Foi um feito político de proporções únicas. Foi a primeira (e, até agora, a única) derrota do costismo em Portugal. Interromper 14 anos ininterruptos de poder socialista na capital comprovou que o ascendente socialista não constitui nenhuma fatalidade estrutural e que não é impossível ao centro e à direita democrática suplantarem as esquerdas junto do povo, ganhando a sua adesão emocional e confiança eleitoral.

Não surpreende que a nomenclatura esquerdista, e as redacções únicas e o comentariado oficial que as sustentam, tenham procurado diminuir Carlos Moedas desde a primeira hora, encarniçando-se progressivamente contra a sua gestão. Lendo alguns jornais durante este Verão, e ouvindo alguns comentadores, seríamos mesmo chamados a concluir que, por culpa de Carlos Moedas, Lisboa no último ano passou a ser uma lixeira. Isto quando antes era um brinquinho. Alguns bairros passaram a ser ruidosos e insuportáveis para viver. Isto quando antes eram paraísos bucólicos. Lisboa passou a ser insegura. Isto quando antes era um oásis de paz e sossego pastoral.

Sem propostas credíveis, exalando frustração perante o confronto com as suas responsabilidades, resta às esquerdas corroer no seu terreno: no comentariado, no Twitter e nas redacções únicas.

Perante isto, Carlos Moedas só pode estar satisfeito com o muito que já fez e confiante com o muito que irá fazer. Nem tem de lhes pedir desculpa por lhes ter vencido as eleições.