Opinião

Não há tempo a perder

Miguel Goulão


Há consenso na imprensa e junto dos comentadores de que as directas do PSD pouco interessam ao país. É um argumento que parece estar a ser assimilado pelos militantes cujos dirigentes querem um partido pacífico, até sonâmbulo, que coroe um líder sem grande alarido. A ideia de muitos é que, nestes dois anos, nada de relevante se pedirá ao líder do PSD, sendo, portanto, altura de dar a Montenegro o que quer há muito tempo e, daqui a dois anos, escolher uma pessoa que possa ser candidata a primeiro-ministro, como Moreira da Silva. É uma lógica que me escapa a de apoiar um candidato por precedência e não por convicção, mas é uma constante no que vou ouvindo dos que apoiam Montenegro. Esta estratégia parece-me disparatada por duas razões:

1.ª - A melhor forma de testar um líder é através do debate interno. Só com uma discussão dura, mas justa, dentro de portas é que podemos saber se os candidatos estão, de facto, prontos para liderarem projectos credíveis junto dos portugueses, e não apenas dos militantes. Ao recusar debater ideias alegando “motivos de agenda”, Luís Montenegro está apenas a servir a sua agenda, como fez nos últimos três anos, não estando a servir a agenda do PSD. Num momento em que temos de nos afirmar, estar a escolher uma estratégia egoísta, que descredibiliza as nossas eleições internas e o nosso partido perante os eleitores, é não estar a servir o partido e Portugal.

2.ª - Num ambiente altamente concorrencial ao centro e à direita, com novos partidos a surgirem e a comunicarem melhor do que o PSD e com o PS a poder aplicar o PRR com maioria absoluta, o PSD não pode queimar dois anos. Se a minha empresa vir a sua posição de mercado ameaçada, eu não perderei um segundo em contemplações antes de lhe dar a volta necessária para voltar a ser competitiva. O PSD não pode dar-se ao luxo de não fazer o mesmo, quanto mais deitar fora dois anos.

A questão que se coloca ao PSD é se vai passar os próximos dois anos a representar os 1,6 milhões de portugueses que realmente acreditaram que podia ser governo, construindo um projecto alternativo e credível ao PS, ou se vai andar a competir com as mesmas armas dos pequenos, na crítica sensacionalista e no ataque barato.

Eu não quero um PSD que se defina por ser “não socialista”, quero um PSD reformista que pense pela própria cabeça, não existindo em função da oposição, mas do projecto de futuro que oferece aos portugueses.

Portugal precisa mais do que nunca de um PSD altamente preparado e competente para governar o país. A moção que o Jorge Moreira da Silva apresenta é sinal disso mesmo e não tenho, por isso, a menor dúvida em contribuir para a sua eleição no próximo dia 28.

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