Opinião

Nada vai ser como dantes...

Bruno Pires


Aproxima-se do fim o consulado de Pinto da Costa. Uma era que transformou um clube de média dimensão num dos maiores e mais temidos clubes da Europa. Jorge Nuno Pinto da Costa fica na História como o mais titulado presidente do futebol português, diria mesmo do futebol mundial, ainda que com os pecadilhos que todos conhecemos e que não foram sancionados pela justiça.

Pinto da Costa falhou, premeditada e deliberadamente, na expansão do clube para outra dimensão. Fomentou uma guerra entre o Norte e o Sul, fazendo com que o FC Porto se alimentasse dessa guerrilha para ganhar. Verdade que foi uma estratégia certeira, mas isso impediu uma afirmação do clube que (ainda) lidera e que se justificava perante o número de títulos conquistados. Pinto da Costa tem 84 anos, sabe bem que não é eterno e talvez saiba ainda melhor que pode nem terminar este mandato. Ao contrário do que tem dito ao longo dos anos, parece querer influenciar a sucessão. O bate-boca que manteve com André Villas-Boas nas últimas semanas, tentando menorizá-lo ao lembrar que trocou a cadeira de sonho pelas libras inglesas, faz parte já de uma táctica que visa afastar o treinador da sucessão, de modo que quem o substitua siga a sua linha. Não sei se isso terá grande sucesso; sei, sim, que André Villas-Boas, por ser de uma geração diferente, tem, caso seja eleito no futuro, a obrigação de catapultar o FC Porto para um patamar menos guerrilheiro, mais fresco, mais sofisticado. E, em simultâneo, manter o ADN ganhador que foi uma imagem de marca do FC Porto de Pinto da Costa. E esse é um desafio gigante.

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