Opinião

Na última edição antes da nova vida do NOVO

O trabalho jornalístico, alicerçado em critérios noticiosos e numa orientação editorial, será sempre muito diferente dos murais das redes sociais. E isso permite que continue a haver jornais.

Leonardo Ralha


Dos gatos diz-se que têm sete vidas, algo que, por vezes, também se aplica aos jornais. Infelizmente, tal como sucede com os felinos, muita gente não gosta assim tanto de jornais. Dir-se-á que se trata da maioria pois, se assim não fosse, os títulos expostos nos quiosques venderiam muito mais e teriam maiores receitas, garantindo meios aos jornalistas para fazerem trabalhos melhores e mais ambiciosos.

Mas tal como os gatos têm quem os admire mesmo sendo criaturas imprevisíveis, indisciplinadas e irrequietas, também há quem goste de jornais. Na edição impressa e na versão online, pois o trabalho jornalístico, alicerçado em critérios noticiosos e numa orientação editorial, será sempre muito diferente dos murais das redes sociais. E isso permite que continue a haver jornais, ainda que às vezes seja preciso reinventar o produto para o manter vivo.

Também o NOVO terá uma nova vida a partir desta edição, passando a estar integrado num grupo editorial que detém títulos de comunicação social já existentes, e surge com ambição de ser voz activa e influente na comunicação social lusófona. Dessa realidade resultarão novas oportunidades para um projecto nascido há pouco mais de um ano, numa conjuntura adversa de pandemia e de instabilidade política, e que desde então trilhou um caminho difícil, iniciado pelos fundadores, Octávio Lousada Oliveira e Diogo Agostinho, acompanhados pela equipa que escolheram e a que me juntei no início deste ano.

Na nova vida do NOVO haverá decerto lugar para aquilo que de melhor tem oferecido aos leitores. O semanário original e livre continuará a escrutinar quem governa e quem faz oposição, a participar no debate de ideias e de projectos que moldam a política, a economia e a sociedade portuguesas, a prestar atenção aos acontecimentos e temas que marcam a actualidade internacional e a descodificar tendências que vão marcar a existência no país e no mundo.

Decerto que o NOVO aprenderá com os erros que cometeu nestes 15 meses de existência, tirando partido das mais-valias decorrentes da experiência de quem se lhe junta. Beneficiará dessa força a nível editorial, comercial e de gestão, o que resultará num projecto mais estruturado e mais capaz de corresponder às legítimas expectativas de quem para o jornal trabalha e daqueles para quem o jornal faz o seu trabalho. Cumprindo, com independência, seriedade e o proverbial 1% de inspiração, a nobre e essencial missão de informar.

Na última edição antes da nova vida do NOVO deixo o meu agradecimento aos seus fundadores e a Francisco Oom Peres pelo desafio para me juntar ao projecto. Um agradecimento extensível a todos quantos me acompanharam desde o início deste ano na missão de fazer as melhores edições que conseguimos, por entre a nova maioria absoluta, a reconfiguração do sistema político e uma guerra que parecia impossível de repetir na Europa. Muito mais haverá para revelar e interpretar num daqui em diante que começa na próxima edição do NOVO. Até já.

Director

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