Opinião

Lisboa: Pedro Rodrigues vs. Francisco César

O frente-a-frente entre o deputado do PSD à Assembleia da República e o deputado do PS à Assembleia Legislativa dos Açores.

Antecâmara


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“O que está em causa em Lisboa?”, por Pedro Rodrigues

Lisboa perdeu nos últimos 10 anos cerca de 100.000 habitantes, (sobretudo jovens e classe média), forçados a encontrar habitação em municípios vizinhos, tal é o caos das políticas de habitação e de mobilidade na cidade de Lisboa.

Os 6.0000 fogos de renda acessível prometidos por Medina, subitamente transformaram-se em 300 efetivamente entregues aos lisboetas. O executivo transformou-se num verdadeiro monstro administrativo, sem capacidade de diálogo com a cidade e sobretudo sem capacidade para resolver os problemas dos lisboetas.

A cidade perdeu a capacidade de liderança da Área Metropolitana de Lisboa, (que representa 36,7% do PIB nacional), não conduzindo a região a estratégias de mobilidade sustentável, e perdeu a capacidade de atração de polos de desenvolvimento tecnológico e de inovação que lhe permitissem afirmar-se como uma capital vibrante.

Antes, encontra-se dependente do conjuntural mercado turístico, que não podendo deixar de ser uma relevante alavanca do desenvolvimento do município, não pode afirmar-se como o seu único motor propulsor.

Lisboa sempre se comportou no contexto nacional como um elemento de equilíbrio. Ao longo da história da nossa democracia a autarquia lisboeta sempre se afirmou como um espaço de afirmação das ambições da maioria dos portugueses. Sempre soube ser capaz de interpretar a sua missão liderante no contexto nacional, afirmando-se como um parceiro estratégico do Governo, mas afirmado essa relação com firmeza e assertividade.

O que a realidade demonstra nos últimos 8 anos é que Lisboa perdeu essa vocação, passando a desempenhar uma posição funcional no xadrez socialista, ao invés de desenvolver a sua verdadeira função de propulsor do desenvolvimento económico e social do país.

Para o PS e para António Costa o município de Lisboa é uma extensão do Governo e o seu Presidente um porta-voz do executivo, sempre ágil a acudir ao Primeiro-Ministro, mas pouco expedito a liderar os grandes temas que devem mobilizar os lisboetas.

É nesse sentido que acredito que as próximas eleições autárquicas em Lisboa se podem afirmar como um momento de viragem.

Portugal precisa de um Presidente da Câmara de Lisboa que seja um polo de dinamização de políticas nacionais. Que promova a coesão territorial. Que se afirme como um ponto de equilíbrio de poder e não como uma extensão do governo. Que lidere, como fez no passado, os grandes debates nacionais (como o PRR, por exemplo), e que quando se justifique não se iniba de incomodar o poder central. Que afirme uma liderança com cariz humanista e rejeite a arrogância como forma de estar na atividade política.

Sou daqueles que me entusiasmei com a decisão de Carlos Moedas de enfrentar o pântano em que Lisboa se transformou e de se disponibilizar para oferecer a Lisboa ambição, cosmopolitismo, uma liderança inspiradora e a capacidade de introduzir inovação no governo da cidade.

E sou daqueles que acredita que, se António Costa olha para Lisboa como a extensão do seu governo, os lisboetas têm nas próximas eleições autárquicas em Lisboa, mais do que derrotar uma liderança falida, arrogante e prepotente, afirmar Lisboa como o farol da mudança nacional e libertar Portugal de uma visão que considera o Estado o centro da atividade política.

$!Lisboa: Pedro Rodrigues vs. Francisco César

“A importância de ter mais Lisboa”, por Francisco César

Sou um Açoriano nascido em Lisboa. Lá vivi, estudei e trabalhei cerca de dez anos no início deste século e agora visito a cidade regularmente em trabalho e em lazer. Lisboa não é apenas uma cidade que eu conheço. É, também, de algum modo, a par de Ponta Delgada, a minha cidade, onde não me consigo sentir turista, apesar de já não ser residente.

Não me esqueço da cidade que conheci noutros tempos. Uma cidade degradada, com zonas de visita não aconselhada, poluída, com poucos espaços verdes, com uma mobilidade caótica, cara e assimétrica, sem dinamismo económico e cada vez mais desertificada. Nesse tempo, o surgimento do novo milénio aparentava ser mais um pesado fardo e um constrangimento do que uma verdadeira oportunidade para a cidade.

Em dez anos, com António Costa e Fernando Medina, a cidade mudou para melhor. A sucessiva perda de população finalmente inverteu-se, o número de jovens a viver na cidade aumentou em mais de 30% e a taxa de desemprego, até 2019, diminuiu para valores históricos. Medina conseguiu perceber as oportunidades da modernidade e tornar a cidade atrativa para as empresas se fixarem e crescerem (+30 mil desde 2013), transformar uma cidade cosmopolita onde o ganho médio dos trabalhadores (dos mais altos a nível nacional) subiu em mais de uma centena de euros nos últimos 10 anos.

Mas, Lisboa tornou-se também uma cidade plena, segura, sustentável, visitável, agradável de se viver, com mais espaços verdes públicos, mais equipamentos públicos, melhores cuidados de saúde públicos e privados e com uma política efetiva de apoio social aos mais desfavorecidos. Aliás, a prova da capacidade do município em responder às solicitações e necessidades da sua população e empresas foi dada durante o período da pandemia. Sem a intervenção dos poderes públicos municipais muitas empresas não tinham sobrevivido à crise, e o processo de vacinação teria sido muito mais difícil.

Lisboa tem ainda muitos desafios pela sua frente. Apesar da melhoria substancial da mobilidade na cidade, com uma descida no custo e melhoria da rede, há, ainda, muito trabalho pela frente. Na vertente da habitação, apesar das políticas de Medina, a especulação imobiliária penaliza em muito o acesso das classes médias à cidade. E, no sector do turismo, há que continuar a investir para que os ganhos sejam proveitos de toda a população e não apenas de alguns.

Fernando Medida é o único candidato que deu provas de conhecer efetivamente os problemas da capital e de conseguir apresentar soluções concretas para o futuro. O trabalho que realizou e que mudou a cidade para melhor fala por si. O programa que apresenta para os próximos 4 anos é um exemplo a ser replicado em todo o país.

Por tudo isso, Fernando Medina e o PS merecem um mandato renovado e reforçado no próximo domingo.

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