Opinião

Ladrar sem morder

João Maria Jonet


Outra vez. A Europa é novamente ameaçada por um ataque híbrido da Rússia e volta a responder com o mesmo de sempre: sanções. É um mecanismo usado com tanta frequência que a economia russa já está pensada desde 2014 especificamente para lhes ser resiliente, mas mesmo assim parece ser a única ferramenta de que a UE e os EUA se lembram para combater abusos. A começar na invasão da Geórgia, passando pela Ucrânia, com todos os apoios a Estados párias e acabando agora na manutenção a todo o custo de Lukashenko, Putin tem feito questão de fomentar a instabilidade no nosso espaço geográfico e punir violentamente os seus vizinhos que se aproximam demasiado do Ocidente, sem que isso resulte em muito mais do que num nível de miséria económica da sua população, que vai sendo fácil de controlar (até pelo hábito que o povo russo tem das dificuldades e do isolamento).

Este é, aliás, um dos maiores problemas com as sanções, seja no Irão, Cuba ou Rússia: o alvo até pode ser a elite, mas quem paga é o povo. Isso facilita a vida dos déspotas, que culpam do mal-estar económico um inimigo externo e veem a sua incompetência passar entre os pingos da chuva.

Anos de uso de sanções sem que a opção militar chegue a estar em cima da mesa tornaram a economia russa uma fortaleza isolada, mais fraca, mas menos ligada ao Ocidente. Ou começamos a variar nas opções (como se exigia na Geórgia e na Ucrânia a nível militar), ou continuaremos a ver a nossa maior arma diplomática a perder toda a sua eficácia.

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