Opinião

Insegurança nacional

No tal país seguro, tivemos em pouco mais de uma semana cinco mortes na noite. E um tiroteio “à americana” num centro comercial.

Telmo Correia


O governo do PS, além da conhecida táctica de atribuir sempre as culpas de tudo o que corre mal às mais variadas realidades – a crise, a pandemia, a guerra, a Europa, o mundo e, sobretudo, o governo de Passos Coelho... –, descobriu um conceito de acordo com o qual o que corre mal é estrutural, como se isso fosse fundamento para não se terem feito as reformas indispensáveis e inadiáveis há anos.

É seguramente o caso do que acontece na área da segurança e, em particular, da segurança urbana.

Enquanto o Governo se refugia no slogan “um dos países mais seguros do mundo”, a criminalidade vai aumentando. Ou melhor, certo tipo de crimes vão aumentando. No tal país seguro, tivemos em pouco mais de uma semana cinco mortes na noite. E um tiroteio “à americana” num centro comercial. Certas formas de violência, como a violência contra os mais frágeis, a violência doméstica e a violência contra menores - e, muito preocupantemente, contra idosos –, vão aumentando sem uma resposta clara ou eficaz do Governo.

Neste contexto, a anunciada utilização de postos móveis, primeiro no Porto e, de seguida, em Lisboa, conforme pedido e acordado com os respectivos presidentes de câmara, pode ser uma ideia interessante, mas tenhamos a noção de que não é mais do que um paliativo ou uma aspirina para responder a uma doença séria.

Porquê? Enquanto o nosso turismo tem natureza sazonal, a insegurança é estrutural; porque os nossos centros urbanos têm uma população extremamente envelhecida, frágil e, por isso mesmo, carente de um apoio visível e de proximidade. E, já agora, quando toda a Margem Sul de Lisboa – Trafaria, Caparica, Fernão Ferro, Paio Pires – terá, na melhor das hipóteses, uma única patrulha, substituída no Verão por guardas estagiários que não podem sequer estar armados... os polícias para reforçar Lisboa e Porto viriam de onde?

A resposta ao envelhecimento e à falta de recrutamento e formação nas forças de segurança, de que tantas vezes falámos, é um problema de base que não se resolve com as afirmações ou as propostas demagógicas dos radicais, mas sim com capacidade reformista e preocupação séria com a segurança que sempre faltaram ao governo do PS.

Tal como a necessidade de responder à impunidade com propostas estruturais, como a dos julgamentos céleres – sumários –, que seriam uma resposta consequente à criminalidade. Ou, como também temos defendido, a solução de criar mecanismos de resposta em rede, que accionem brigadas mistas, envolvendo as várias forças de segurança, e estejam em articulação com os próprios mecanismos de segurança privada.

Para o Governo, o estrutural é uma maçada, mas resolve-se com coragem reformista. De outra forma, continuaremos a viver num clima de insegurança nacional.

Vice-presidente do CDS-PP

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