Opinião

Hipertensão arterial: a ameaça silenciosa que não deve ignorar

Maria João Sá


No Dia Mundial da Hipertensão Arterial vale a pena ficar a saber em que consiste esta doença, que cuidados deve ter e como a prevenir, uma vez que é uma peça fundamental no puzzle das doenças cardiovasculares, a principal causa de morte em Portugal.

Quando a pressão arterial – que é a força com que o sangue circula no interior das artérias - se encontra elevada de forma crónica, ocorre a hipertensão arterial. Por norma a hipertensão arterial é uma “ameaça silenciosa” – na maior parte das vezes não causa sintomas e o diagnóstico apenas é feito através da medição dos valores de pressão arterial e pela verificação de que estão acima do limite normal.

Para o diagnóstico de hipertensão arterial é necessária a avaliação correta da pressão arterial por um profissional treinado, com um equipamento calibrado e uma braçadeira adequada ao tamanho do braço. Um valor aumentado isoladamente não significa que a pessoa seja hipertensa. Para o diagnóstico é necessária uma média de medições efetuadas com valores aumentados, pelo menos em duas ocasiões diferentes. Se os valores de pressão arterial são persistentemente superiores a 140/90 deve procurar um médico pois provavelmente sofre de hipertensão arterial.

Na maioria dos casos não há uma causa conhecida para a hipertensão arterial. Estão, no entanto, identificados vários fatores de risco que podem aumentar a probabilidade do seu desenvolvimento. Se existem fatores que não podem ser controlados, como a idade e a história familiar, também se verificam outras causas em que podemos ter um papel ativo na prevenção da doença, através da adoção de hábitos de vida saudáveis.

A obesidade é um fator de risco inquestionável para a doença cardiovascular. As pessoas com obesidade, para além de apresentarem um maior risco de desenvolver hipertensão arterial, têm tendencialmente níveis mais elevados de colesterol e triglicerídeos e maior probabilidade de vir a ter diabetes e problemas cardíacos.

O tabaco e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas podem aumentar significativamente a pressão arterial, pelo que são fundamentais a cessação tabágica e a moderação na ingestão de bebidas alcoólicas. Uma dieta rica em calorias, com alto teor de gorduras saturadas, é prejudicial à saúde e contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em particular, o consumo excessivo de sal, superior a 5gr/dia, ao provocar um aumento do conteúdo de sódio nos fluidos corporais, contribui para a retenção de água e consequente aumento da pressão arterial. Também o sedentarismo está relacionado com aumento de risco de hipertensão arterial pelo que é fundamental manter uma vida ativa e praticar regularmente exercício.

A prevenção da hipertensão arterial tem como principal objetivo a diminuição da morbilidade e da mortalidade cardiovasculares e, para isso, necessita não só da redução da pressão arterial, mas também da manutenção de um controlo de todos os fatores de risco modificáveis. No caso de estar indicada medicação, é fulcral a toma regular e o cumprimento das indicações do médico. A interrupção da terapêutica, absoluta ou intermitente, pode associar-se a um agravamento da situação clínica.

Repito, a hipertensão arterial é uma doença crónica que necessita de terapêutica e vigilância, com consultas médicas regulares e controlo permanente de fatores de risco cardiovasculares. Lembre-se sempre que ter a pressão arterial controlada é como conduzir com um “cinto de segurança”.

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