Opinião

Futuro governo: uma incógnita?

Joaquim Jorge


A instabilidade política em Portugal está a aumentar e a dificuldade de formar governos maioritários e sólidos está à vista de todos. Contudo, existem soluções.

Os partidos devem ouvir as queixas de quem se manifesta e reivindica e procurar actuar em função disso.

Os protestos, que se vêem na televisão e se lêem nos jornais, têm muito em comum: os cidadãos pedem melhores serviços públicos, pensões, salários dignos, emprego, entre outros. O que pede a grande maioria está consagrado na Constituição Portuguesa e estabelecido nos direitos humanos consagrados historicamente.

Com a tendência para haver uma fragmentação de votos nas eleições, vai ser um exercício de grande perícia e capacidade fazer acordos.

A nossa democracia está em metamorfose. Quem melhor se adaptar, mais êxito terá no futuro. O PS é o power rangers do regime: além de ser o partido que mais tempo permaneceu no poder, arvora-se o centro das decisões, em que nada se consegue fazer sem ele. E é verdade. O PS tem sido, ao longo dos anos, quase sempre o partido mais votado. Os portugueses são sociologicamente de esquerda.

O PSD, para ser governo, teve quase sempre de fazer coligações, começando pelo genial Sá Carneiro, que formou a célebre AD.

Cabe ao PSD desfazer esta ideia, mas não vejo caminho fácil. A sua disputa interna, entre Rui Rio e Paulo Rangel, colocou o partido nas bocas dos portugueses. Mas uma coisa é ser falado, outra coisa é ser votado. Este fim-de-semana saberemos quem vai liderar o PSD. O PCP e o BE são os cavalos de Tróia à esquerda; mas, à direita, o CDS, a IL e o Chega são os “relevantes” porque, sem eles, nada acontece ao PSD.

Deixemo-nos de subterfúgios: um bloco central é algo contranatura. A beleza da democracia reside nas suas diferenças e na capacidade de haver contraditório. Um governo PS/PSD, no fundo, seria uma “ditadura democrática”.

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