Opinião

Folclore orçamental

Rubina Berardo


Que discussão mais animada em torno do Orçamento do Estado 2022(!), embora acabe por ser menos sobre o documento em si, e mais sobre as diferentes sobrevivências políticas em jogo – do PM, do maior partido da oposição, dos sobreviventes da Geringonça e da instituição da Presidência da República.

O Presidente da República diz que “a verdadeira democracia está nos moderados” e não na radicalização, apelando às convergências. Há quem fale em “listas de mercearia” ou venda de votos, mas a política de consensos – tão louvada pelos comentadores nacionais, como por exemplo em relação à Escandinávia – é composta naturalmente por avanços, recuos e compromissos. Entre os partidos verdadeiramente democráticos, em teoria, não deveria haver tabus negociais. Mas naturalmente existe sempre a possibilidade de falhanço de convergência.

Compete aos decisores de cada voto parlamentar fazer o balanço entre ganhos e perdas dessas negociações, sem perder de vista o interesse do país e do coletivo. Isso sim, é a democracia a funcionar, onde cada instituição política age no seu espaço constitucional. O resto é folclore.

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