Opinião

Eu apoio Francisco Rodrigues dos Santos

Ascenso Simões


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Acho piada ao dandismo tosco de Nuno Melo, ao seu estilo de velho aristocrata com uma atitude irrequieta que lhe é concedida pelo seu MG verde descapotável. No início deste século não havia senhora do CDS que não achasse piada ao seu estilo, que se não deleitasse com o tardio cabelo molhado depois de uma noite de Kapital. A minha estima para com Melo não se transporta para o seu desempenho enquanto dirigente do CDS e, agora, para a sua circunstância de challenger de Rodrigues dos Santos. Paulo Portas, depois de ter enterrado Manuel Monteiro, Maria José Nogueira Pinto e Ribeiro e Castro, foi construindo um partido unipessoal, uma fazenda onde era conhecido o proprietário e os diversos caseiros. O CDS de Portas não era mais do que a sua imaginação, a sua coreografia, a sua omnipresença.

Todos os que no CDS foram fazendo caminho, no Parlamento e no Governo, não tinham, não têm ainda, valor eleitoral relevante. Veja-se os resultados de Telmo Correia em Lisboa ou, mais recentemente, de João Almeida em São João da Madeira.

Mas o mais inquietante de tudo o que se passou no CDS, e desde 2015, foi o facto de se poder constatar o quão políticos de aviário eram as principais figuras do entorno portista. O resultado de Cristas em Lisboa, não adivinhando que era fruto das circunstâncias, até levou a que, em congresso seguinte, se aprimorasse o discurso de um CDS alternativo ao PS. Santa paciência tiveram os portugueses ao ouvirem tais barbaridades e, não tardou, reduziram o grupo dos caseiros à lotação de uma Renault 4L.

O Congresso que elegeu Rodrigues dos Santos não optou pelo melhor político, pelo mais respeitado dirigente, pelo mais sustentado pensador. O que aconteceu foi um “chega para lá” às viúvas do portismo, um saneamento dos parasitas do Caldas.

É, portanto, injusto dizer que a situação actual do CDS se deve ao jovem líder.

Rodrigues dos Santos está a fazer o caminho que fez Manuel Monteiro. Atrevo-me a dizer que está a fazer melhor do que Manuel Monteiro, porque é mais próximo, menos iludido e tem a resiliência dos “meninos da Luz”.

O que o próximo Congresso do CDS vai decidir é muito simples: ou elege Nuno Melo e o CDS acaba de vez, ou reelege Santos e este pequeno partido ainda pode existir a partir de 2023. Nuno Melo não tem palco, não tem imaginação e não tem o que, nos tempos de hoje, é essencial: a vontade de “comer relva”. Mais: Nuno Melo seria um líder trauliteiro muito menos imaginativo do que André Ventura. E entre um original e uma serigrafia, a opção é óbvia.

O que resta do CDS está mais bem entregue a quem tem mais futuro. E Melo terá todo o tempo para continuar, por mais três anos, a circular por essa Europa, já não no seu velho MG, mas num novo Jaguar F-Type de cor índigo que também fará as delícias de quem o veja passar.

Nota: Tenho uma pendência judicial com FRS que não tolda a minha análise sobre a direita portuguesa e sobre os seus principais protagonistas. Não me revejo na acção política feita pelo rancor. FRS também irá aprender que em política não vale tudo.

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