Opinião

Estilos de vida saudáveis para travar o cancro digestivo

No seu conjunto, o cancro digestivo é o que tem a maior mortalidade nos países ocidentais, provocando a morte de cerca de um português por hora. É fundamental alertar para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Ana Raimundo


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A incidência do cancro digestivo – que inclui, no seu conjunto, cólon e recto, estômago e esófago, fígado e pâncreas – tem crescido devido ao aumento da esperança média de vida e aos estilos de vida que agudizam o risco: dietas com excesso de gorduras, açúcares e carnes vermelhas, obesidade, excesso de álcool e sedentarismo.

As populações devem ter bem presente que necessitam de seguir um estilo de vida saudável e participar em acções de vigilância – seja consultando o médico assistente para aferir a necessidade de realizar exames de diagnóstico, seja participando nos rastreios, especialmente do cancro colorrectal. O ideal é o diagnóstico precoce e o tratamento da doença nas fases iniciais, aumentando a probabilidade de cura.

Com o conhecimento cada vez maior da biologia destas doenças e a evolução dos diferentes tratamentos, conseguiu-se aumentar a sobrevivência e qualidade de vida destes doentes de forma significativa. Existem equipas multidisciplinares dedicadas e integradas para prestar cuidados de qualidade durante todo o percurso do doente: diagnóstico, estadiamento, tratamento e seguimento. Esta equipa multidisciplinar tem profissionais que mantêm o seguimento depois de finalizados os tratamentos, para o apoio na resolução de sequelas no pós-doença, de forma a facilitar a integração rápida na vida laboral e social.

Na área da cirurgia destacam-se a laparoscópica e a robótica, com menores taxas de complicações e uma recuperação mais rápida. Na área médica, a medicina de precisão e a imunoterapia permitem tratamentos mais adequados a cada doente, com menos efeitos laterais e mais eficazes. Nos últimos anos constata-se uma melhoria significativa nas taxas de sobrevivência graças a esta evolução.

Na CUF Oncologia coloca-se o doente no centro de todas as atenções, ajustando o plano de cuidados à individualidade de cada um, com um plano de tratamento, acompanhamento e recuperação adequado a cada pessoa. Este plano consegue-se graças ao apoio de uma equipa disciplinar, mas também com a participação activa do próprio doente e da sua família.

Perante a incidência global e não descurando o impacto que o cancro digestivo tem na vida de cada um, o desafio foca-se na literacia para estilos de vida saudáveis, no alcance de um diagnóstico precoce e na prestação dos melhores cuidados – sempre centrados na pessoa, com resultados mensuráveis e com um benefício real para o próprio doente e para a sociedade.