Opinião

Estás muito apagado!

Joana Amaral Dias


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Houve momentos trágico-cómicos, como Assunção Cristas banir as gravatas no seu ministério para poupar no ar condicionado ou desligar de luzes agendados e voluntários para salvar o planeta, tipo palmas à janela. Mas agora é a sério e a doer. Quem vai ser desligado somos nós. Vem aí o Grande Apagão.

Quem há uns meses falava de racionamento energético levava com alguns ismos do século XXI e logo era apodado de conspiracionista ou negacionista. Certo é que ele aí está, já se anunciando medidas obrigatórias para casas, comércio, transportes e indústria, logo a seguir à ópera bufa montada com a Endesa para que pareça que Costa é um intrépido que não ataca apenas o mexilhão.

Certo é que o presidente da Agência para a Energia (Adene) refere um “plano de poupança de energia e eficiência hídrica” com regras e metas, algumas de carácter provisório e, outras, definitivo. Leu bem: alguns destes racionamentos serão permanentes. E como já declarou o dito responsável, de seu nome Nelson Lage, “não será só uma campanha de sensibilização”, até porque estão previstas coimas para quem não cumprir. Ou seja, quem não estiver disposto a baixar o interruptor às oito da noite leva com a sanção. Agora multa, depois logo se vê, até porque, depois do sucesso com a colossal experiência covid, os governantes já confirmaram (como a psicologia ensina há mais de 100 anos) que a maioria aceita medidas irracionais e contra os seus próprios interesses – desde prisão domiciliária até inoculações experimentais – sem tugir nem mugir desde que a coisa seja bem embrulhada pelo poder da autoridade, o prestígio de supostos peritos e a pressão de grupo. Portanto, hoje há coimas; amanhã, veremos.

De facto, as ditaduras assumidamente violentas do século passado eram um copinho de leite quando comparadas com estas democracias fingidas e tingidas, fake, aldrabadas e contrafeitas, demo-krassias da treta e da tanga que nos impingem ou impõem goela abaixo.

Tal como a covid, os racionamentos energéticos (bem como outras supressões e suspensões de direitos, liberdades e garantias que em breve nos arrombarão a porta) serão bem untados com alegadas boas intenções, desde a Ucrânia à ecologia. O sebo há-de escorrer com insistência e 24/7 na comunicação social mainstream, de forma a facilitar a já conhecida submissão. Aceita que pensas menos. Passada esta fase, cristalizar-se-ão dois mundos: o universo climatizado dos que têm livre acesso à energia, inclusive fóssil (a elite, as castas superiores e os eleitos); e o mundo dos metecos, dos excluídos da energia e respectivos derivados (tudo o que dela necessita, inclusive informação), que apenas terá consumos controlados. Ou nenhuns.

A unidade de carbono pode até vir a depender da quantidade de doses de vacina que já levou ou do número de posts que já teve censurados. Se tiver esgotado o seu plafond, se calhar, já não liga o carro nem o microondas. Vai a pé e come cru. Afinal, nas cadeias e celas também há hora de apagar as luzes, correcto? Tal como nos hospícios, não é, ó verdadeiros chalupas?

Teste rápido

Em três meses, sabe quantas vezes o “rei dos catalisadores” foi detido em flagrante delito para logo ser libertado?

(Resposta: Sete)

Autoteste

A inflação...

- é da responsabilidade de Putin, de todos os consumidores em geral e de muitas empresas ambiciosas em particular

- Tem imensas vantagens como a socialização nas filas dos racionamentos

- É só 15 dias e vai ficar tudo bem

- Qual inflação? O governo até aumentou os salários!

- Todas as anteriores

Antigénio

Pelosi em Taiwan não foi uma vitória política, mas apenas diplomacia cowboy e uma espera pela vingança, que se serve fria.

Progénio

Domingos Machado, de 70 anos - 47 enquanto médico nefrologista -, doou um rim a um doente em lista de espera para um transplante. E se, de repente, alguém oferecer um rim a um desconhecido? Isso é misantropia. Coisa tão rara.

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