Opinião

Esquerda rima com irresponsabilidade

Diogo Agostinho


Esta campanha eleitoral, depois de uma crise provocada pela esquerda e pela extrema-esquerda, que governaram o país desde 2015 e não foram capazes de se entender para aprovarem um Orçamento do Estado para 2022 (é bom relembrar), surge em plena pandemia. Isto significa uma dificuldade acrescida no formato normal de campanha eleitoral. Não temos arruadas, comícios e os jantares do chamado “circuito da carne assada”.

Temos debates de 25 minutos, duração inexplicável, pois a seguir levamos com comentários de horas sobre os comprimidos debates. Só isto já é um prejuízo para a nossa democracia. Pior fica com certos “comentários e análises” que vou ouvindo e lendo por aí. Como sempre, cheios de moral, a pedir medidas, a dizer que a direita não tem soluções e é muito agressiva nos debates. E depois, qual típico exemplo da superioridade moral da esquerda, mas também de uma certa direita envergonhada, repetem que os temas centrais não são abordados. Pois não. Em 25 minutos de debate, quem pode ter consistência na abordagem de um tema?

Mas já vamos sabendo algumas coisas. E todas com um cunho bem definido. À esquerda, continua a irresponsabilidade a dominar a agenda ideológica sectária. Infelizmente, são alguns os que ainda cometem o erro de falar ao sabor da esquerda, e não do que deve ser dito.

E o que deve ser dito? Que a esquerda não se entendeu e, se o PS ficar nas mãos da extrema-esquerda, o nosso país está condenado. Olhemos para o que nos diz Catarina Martins. Em pleno debate, questionada sobre se fez contas às necessidades de financiamento do SNS, atira: “Não quero saber de quanto custa.” Esta resposta é todo um programa por si só. Pois podemos somar a esta irresponsabilidade a vontade de criar mais carga fiscal em quem possa, eventualmente, ter sucesso em Portugal. Com impostos do tipo Mortágua, é fácil não fazer as contas. Mas mais: tem no seu programa mais um novo escalão da derrama estadual no IRC para empresas que lucrem 20 milhões ou mais. Os “bandidos” do grande capital lucrarem. Como se atrevem a ter sucesso em Portugal? Taxamos. E produtos de luxo? Mais um impostozinho, pois claro.

A isto somamos o Livre. Esse partido que, depois do desastre Joacine, nos devolve Rui Tavares aos debates. E lá está a filosofia de esquerda a dominar. Subsídios de desemprego para quem se quer despedir. Não gostou do trabalho? Está farto de trabalhar? Arranjou emprego, mas quer descansar? Subsídio. E as empresas digitais? Viva o preconceito da Apple e do Facebook. Em Portugal, segundo o Livre, é para taxar esses “malvados”, pulando fora da necessária articulação internacional na tributação que a OCDE vem tentando construir.

São meros exemplos. E, depois, ainda leio que o problema é a direita. A direita que não governou, enquanto havia pontes e entendimentos à esquerda, a direita que nos salvou da bancarrota e a direita que sabe que tem um país para gerir e contas para pagar.

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