Opinião

Em Abril, tachos mil

Constança Martins da Cunha


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Portugal desviou-se há muito do caminho sonhado e idealizado pelos revolucionários de Abril.

Aquilo que noutra democracia constituiria um escândalo tornou-se vulgar e corriqueiro e já quase não provoca indignação, numa população habituada à má-governação e entorpecida por décadas de abusos que levariam à demissão de qualquer governo num país civilizado.

Na verdade, poucas ditaduras se atreveriam, com receio de provocar revoltas, a cometer os verdadeiros desmandos a que nos temos habituado a assistir.

Vem isto a propósito da criação de uma “estrutura de missão”, com orçamento ainda não divulgado mas que se adivinha generoso, para alegadamente promover e organizar as comemorações em 2024 dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, pois foi anunciado que o Comissário Executivo, curiosamente conhecido antes de se saber a composição da Comissão Nacional das Comemorações, será regiamente pago até 2026, e terá direito a todas as mordomias, desde motorista a assessores “de missão” também remunerados em conformidade com os novos usos de um país com a prosperidade que é de todos conhecida.

Para tentar incutir alguma aparência de integridade e moralidade aos “festejos”, o Governo convocou o General Ramalho Eanes, uma das maiores figuras do regime, que todos os portugueses respeitam.

Porém, em vez de dar crédito à sua “estrutura de missão” o Governo diminui-a e diminui-se, surgindo todos como anões ao lado de um gigante.

Mais do que comemorar o 25 de Abril, o Governo está novamente a desacreditar o regime.

Para os “escolhidos”, os festejos já começaram!

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