Opinião

Eleições já amanhã

João Villalobos


Na altura em que escrevo tudo indica que o Orçamento do Estado não será aprovado e, como noticiou o diretor deste jornal, de Belém falam em termos eleições lá para o meio de Fevereiro. Parece-me tarde, embora adequado. É por essa altura que costuma ser o Carnaval.

Pelo meio, claro, teremos as eleições internas do PSD e do CDS e um congresso do Chega que – pelo pouco que percebo daquilo – servirá para reeleger André Ventura como líder pela enésima vez. À partida, só a esquerda nos dará algum descanso da novela política. Ou melhor, a extrema-esquerda. Já que o Partido Socialista também promete muita animação interna, eventualmente merecedora de copos de pipocas daqueles extra-grandes.

A nossa opção, como cidadãos, cidadãs e cidadxs com juízo (ou lá como se escreve agora para não ofender géneros) seria à partida clara; Rumarmos durante os próximos meses para um paraíso tropical e fiscal qualquer, mesmo correndo o risco de lá encontrarmos o Dr. João Rendeiro e ele nos tentar impingir um falso Miró em troca de uma dúzia de mojitos. Infelizmente, para a maioria de nós que desfalcámos ninguém e pelo contrário fomos espoliados pelos impostos e taxas, tal viagem não é possível e resta-nos permanecermos por cá nas nossas vidinhas, assumindo uma postura de resistência ativa à insanidade política que se avizinha. Como cantavam os Táxi, “entre ficar e partir, nem sempre é fácil decidir”. Principalmente quando, para partir, temos que pagar gasolina e portagens.

Depois de muito trabalho de pesquisa nos sites de citações à procura de uma boa para plagiar, encontrei esta atribuída a Abraham Lincoln: “As eleições pertencem às pessoas. A decisão é delas. Se decidirem virar as costas ao fogo e queimar os traseiros, terão depois que sentar-se sobre as suas bolhas”. Dá que pensar e, além do mais, é um bom argumento de venda para aquelas almofadinhas que também servem para ir ver a bola.

Em suma e espremido, vem para aí uma confusão danada e o voto vai ser determinante, quando chegarem finalmente as eleições, para definirmos o país que queremos vir a ter. Eu sei disso. Sou uma pessoa séria, por incrível que vos pareça. Mas o sofrimento vai ser o tempo que ainda falta até lá. Por mim, a solução era irmos às urnas já amanhã. Afinal de contas, quem chegado a esta altura ainda não sabe em quem votar, é porque mora em Timbuktu.

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