Opinião

Eleições autárquicas

José Manuel Pavão


Georges, anda ver meu paiz de romarias e procissões !

Só, António Nobre

Quando faltam bem menos de dois meses para o dia em que irão realizar-se as eleições autárquicas, um pouco à semelhança do que acontece antes do Natal o país altera profundamente o seu rosto e ganha um colorido e alarido tal que me ocorre evocar António Nobre quando num dos seus bem conhecidos poemas convida Georges para vir com ele ver “o meu paiz de romarias e procissões”.

De facto, aquilo a que podemos assistir nas nossas ruas, parques, rotundas e avenidas são grupos de gente algo ruidosa que gritam slogans e fixam cartazes das mais variadas dimensões com dizeres para todos os gostos !

Confiança, estabilidade, rigor, verdade, afectos, solidariedade, enfim tudo serve para aliciar e conquistar crédito no eleitor.

Mas do que eu gosto mais de apreciar são aqueles cartazes com a fotografia do candidato cuidadosamente retocada e pateticamente rejuvenescido ou então outros agora muito em moda com o candidato à Freguesia em pose muito formal e aparentemente constrangido mas tendo por trás a figura patriarcal e protectora do candidato à Câmara , testemunho inequívoco dum presidencialismo municipalista excessivo e prejudicial a’ boa e transparente relação entre duas competências autárquicas a necessitar de urgente remodelação.

Neste período pré-eleitoral o que se deseja e’ que os candidatos apresentem ideias claras, projectos credíveis e programas consistentes de modo a que o cidadão eleitor possa informar-se e decidir com segurança. Todavia, na maior parte dos casos não e’ isso que acontece !

As redes sociais que hoje têm algum poder informativo são bombardeadas por imagens e mensagens despidas de conteúdo quando não enganadoras, e nos pequenos círculos eleitorais do interior olvidado e empobrecido, o oportunismo da caça ao voto raia por vezes o intolerável.

Como seria bom para todos e desejável ao regular funcionamento da democracia que os excessos exibicionistas das campanhas fossem disciplinados e as regras do jogo mais respeitadas. E’ aqui que a Comunicação Social pode ter um papel importante denunciando abusos e apontando o caminho, mas como diria o poeta, “onde estão os pintores do meu país estranho que não vêm pintar?!

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