Opinião

E agora, Lisboa?

Nuno Cruz


Lisboa precisa de ser mais transparente e fiável. E os recentes escândalos que envolvem o ainda presidente da câmara provam que não o é. É o resultado de termos os mesmos a governar Lisboa há 14 anos. Catorze anos! Sabemos que nunca é bom um partido estar tanto tempo no poder. Que isso não faz bem à independência, dinamismo e renovação das instituições. Mas a actual teia burocrática e partidária que existe na câmara vai muito além disso e só existe para se alimentar a si própria. Lisboa está hoje muito longe de ser o que poderia ser e de oferecer a qualidade de vida que poderíamos ter. As grandes questões acumulam-se e não existe uma ideia para a cidade. Não temos um líder forte em Lisboa. Mas temos um candidato: Carlos Moedas.

A questão que se coloca é se, ao termos finalmente o político com o perfil que sempre desejámos, vamos aproveitar esta oportunidade.

Passamos a vida a desejar que pessoas com mérito e provas dadas na sociedade civil se envolvam na política. Para que ponham ao serviço da causa pública toda a sua competência, experiência e credibilidade. Mas que sinais de confiança damos a essas pessoas para que saiam da sua zona de conforto, do recato da sua vida, e assumam esses desafios?

As ideias são fundamentais, mas as pessoas que as protagonizam também. E Carlos Moedas é o que sempre desejámos que os nossos políticos fossem. Subiu a pulso na vida. Estudou em universidades de prestígio, em Portugal e no estrangeiro. Teve uma carreira profissional de sucesso no sector privado, em Portugal e no estrangeiro. É culto, cosmopolita e trabalhador.

Só recentemente se envolveu na vida política, tendo desempenhado funções públicas que alcançaram reconhecimento internacional. Foi comissário europeu e depois voltou para o sector privado. Melhor, tinha a Fundação Gulbenkian de braços abertos. Era seu administrador e, provavelmente, seria seu presidente. O que faria qualquer um? Abraçava-a e não a largava mais.

O que fez ele? Aceitou o desafio do PSD, apesar de toda a exposição da sua vida pessoal e financeira, riscos esses que os melhores raramente estão dispostos a correr.