Opinião

Deixem o Chicão jogar à bola

Miguel Baumgartner


Eu tinha avisado. Ao Francisco Rodrigues dos Santos aplica-se aquilo que muitos treinadores dizem dos jovens jogadores, ou seja, era preciso pôr o Francisco a jogar. E o líder do CDS-PP esteve, em cada debate, melhor em campo e soube expor a importância que o CDS-PP tem na nossa democracia.

O ex-deputado e secretário de Estado de Durão Barroso José Eduardo Martins dizia em entrevista ao podcast Bancadaparalamentar que “o problema do CDS é que os melhores não jogam à bola”, e, em certa medida, tinha razão. Mas também é verdade que os partidos se fazem de alternância, de renovação, de altos e baixos e de novos protagonistas, e neste sentido, durante dois anos, o CDS, que já vinha combalido de outros “jogos” com outros jogadores, teve muitas dificuldades em se impor em campo e o seu novo líder teve, por inúmeras razões, dificuldades em mostrar-se e em demonstrar o seu e o valor do CDS.

Mas é então que chega a crise política que a esquerda provocou com a aquiescência de António Costa e que obriga a novas eleições legislativas. O CDS está fragilizado e com sérias discussões internas que em nada abonam em favor da imagem exterior do partido e que em nada ajudam a mostrar ao eleitorado que o CDS é fundamental, mas é assim a vida interna dos partidos – existe debate e discórdia, e ainda bem que assim é. Quem não se lembra de que já por duas vezes tentaram no PSD derrubar Rui Rio e do frenesim que isso provocou na bolha das redes sociais, nos comentadores de serviço que já davam como certa a vitória de Rangel e de uma certa comunicação social, alinhada no prematuro adeus ao CDS.

Mas estava enganado quem pensava ou pensa que o Francisco Rodrigues dos Santos – que finalmente pôde entrar em campo – não alcançaria provar exactamente o contrário: que o CDS é necessário a Portugal, é necessário à direita, e que também passa pelos democratas-cristãos a construção de uma verdadeira alternativa à esquerda socialista. O debate interno será feito mas, em primeiro lugar, vem o país. Eu tinha avisado. Ao Francisco Rodrigues dos Santos aplica-se aquilo que muitos treinadores dizem dos jovens jogadores, ou seja, era preciso pôr o Francisco a jogar. E o líder do CDS-PP esteve, em cada debate, melhor em campo e soube expor a importância que o CDS-PP tem na nossa democracia.

O Francisco e a sua equipa souberam preparar os debates. Apresentaram 15 pontos com propostas-base a que chamaram “Compromisso Eleitoral”. Querem fazer passar a mensagem e querem que o eleitor entenda a palavra do CDS. Sejamos sérios: ninguém está interessado em pegar e muito menos em ler um calhamaço de 500 páginas, que praticamente nunca é realizado pelos governos e que dificilmente é consultado pelos eleitores. O CDS quer e tem de ser directo e objectivo com os eleitores, quer chegar aos jovens, aos empresários, aos mais desfavorecidos, ao interior e às mulheres e aos homens deste país, de uma forma assertiva e nada formal.

E foi neste registo que Francisco Rodrigues dos Santos se apresentou nos debates, foi directo e assertivo, soube passar algumas ideias e propostas do CDS, soube falar ao seu eleitorado, não teve medo nem se deixou intimidar por ninguém, defendeu a direita conservadora democrática e liberal e não teve temor de derrotar Ventura no seu próprio registo.

Se não ganhou todos os debates, também não perdeu nenhum, e foi, a par de Rui Tavares – este por outras razões –, a grande novidade para os portugueses neste modelo de debates.

Soube desmontar o discurso animalista do PAN; mostrou as diferenças que tem com a IL – mas soube construir uma ponte –; mostrou as incongruências do BE e muita da radicalização que este traz à política e à sociedade portuguesa; não teve receio de apontar as falhas a António Costa e de lhe dizer que o seu governo não só não serviu para desenvolver o país como o mesmo chegou ao fim.

Teve a clareza de dizer ao seu parceiro natural, que é o PSD, que este errou ao não querer liderar uma grande coligação para derrotar a esquerda. Teve aos olhos dos portugueses uma prestação de liderança, de lufada de ar fresco e de renovação tão necessárias em Portugal, e foi capaz de marcar terreno. Nestes últimos dois anos faltou muito ao CDS e ao seu líder este palco mediático que outros tiveram e que ao CDS foi negado.

Se é certo que os primeiros debates e o debate em que arrumou Ventura tiveram um volume mais elevado, o que os portugueses guardam na retina é a imagem de um líder que não tem receio; que não renega o passado e a importância dos governos da PàF de Passos Coelho e de Portas; que não abandona nem deixa de acreditar no seu partido e que, mesmo perante todas as dificuldades internas e externas que o partido vive, continua a respeitar o legado de mais de 46 anos que o CDS tem em Portugal; e que soube apresentar um pensamento e uma proposta alternativa ao país.

O CDS ganhou um tónico novo com os debates e com a prestação do seu líder e tem agora um momentum que deve e vai saber aproveitar. O CDS é ainda um partido que tem muitos militantes e muitas estruturas espalhadas pelo país, coisa que nem o Chega nem a IL têm. Tem história e tem a experiência de quem já esteve várias vezes no governo de Portugal. E neste sentido, com ideias e com uma campanha genuína e uma mensagem directa aos portugueses, pode mesmo provar ao eleitorado que um voto no CDS não é um voto desperdiçado e que só poderá haver uma solução à direita se o CDS sair reforçado das próximas eleições.

Recorde-se que até mesmo Rui Rio, no debate com Francisco Rodrigues dos Santos, apelou ao eleitorado que não queira votar PSD para que vote então no CDS, porque ele recomenda-o. E é aqui que também reside a importância do CDS para Portugal. É que foi também graças ao CDS que, nas últimas eleições autárquicas, a direita foi capaz de derrotar o PS e a esquerda em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Lamego, em Nelas, no Funchal e em tantas outras autarquias. Cabe lembrar que o CDS não foge à luta e que os seus militantes assim o têm demonstrado.

Os debates chegaram ao fim e agora vem aí a campanha eleitoral, a campanha na rua, no corpo-a-corpo, a volta da carne assada, das idas às feiras, dos discursos em cima de carrinhas, no interior e no litoral, a campanha sem maquilhagem das televisões, a campanha no mundo real – e, nisto, o CDS e Francisco Rodrigues dos Santos são muito fortes.

O modelo dos debates televisivos de 25 minutos, criticado por uns e defendido por outros, permitiu que os partidos com assento parlamentar debatessem num frente-a-frente – com excepção do PCP, que se acha acima dos restantes e, em certa medida, foi esclarecedor. Nem que não seja, permitiu que os portugueses observassem quem tem condições e quem não as tem para governar Portugal. E se ficou claro aos olhos de todos que, após os debates, só o PSD, o CDS e a IL podem mesmo construir um governo estável, também não deixa de ser verdade que só o voto no CDS impede que o PSD e Rui Rio alimentem um governo de António Costa por mais dois anos.

E é neste sentido que eu peço aos eleitores, a todos aqueles que realmente querem um novo governo, a todos os que almejam uma nova oportunidade para Portugal, a todos os que desde as últimas autárquicas acreditaram que só um governo de centro-direita pode relançar Portugal numa caminhada de crescimento e efectuar as reformas necessárias: deixem o Chicão jogar à bola!

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