Opinião

Da Escócia a Maputo, a rigorosa e o desajeitado

Eduardo Baptista Correia


A morte da Rainha Isabel II, em Balmoral, na Escócia, veio relembrar a forma, nem sempre evidente, como o Reino Unido e a Commonwealth, na essência, existem e funcionam.

Quando se trata da monarquia, a unidade à volta do símbolo e da pessoa que o representa é inquestionável. A presença da realeza na Escócia, com todo o simbolismo associado, mostra bem a capacidade de que a extensão geográfica desse conceito usufrui. Um sinal simples, mas de um rigor impressionante, foi o facto de o agora Rei Carlos III ter vestido o tradicional kilt escocês durante o tempo em que as cerimónias fúnebres decorreram na Escócia.

A Rainha era apreciada e respeitada por todos aos 96 anos, tal como quando foi coroada, em 1952, então com 25 anos. A forma como o seu funeral foi preparado e conduzido é digna de uma nota especial, de um respeito pelo rigor, constituindo um sinal e uma homenagem à eloquência. Não sendo eu um defensor da monarquia, sou um acérrimo apreciador do rigor e do bem fazer e, por essa via, nutro uma enorme admiração pela forma como a monarquia do Reino Unido funciona e se endossa ao longo de séculos.

Estudei na Escócia durante cinco anos, entre os 24 e os 29 anos. Assisti às profundas rivalidades religiosas entre católicos e protestantes e ao ódio suave que os escoceses em geral nutrem pelos ingleses. Razões e eventos históricos muito fortes e marcantes estão na base da animosidade. Assisti a inúmeros jogos da selecção inglesa em que, independentemente da origem, os escoceses apoiavam sempre o adversário. Contudo, quando se tratava da saudação à Rainha, a adesão era, regra geral, total e extremamente efusiva e sentida.

Não há dúvidas do respeito pela instituição e pelo monarca. As imagens, a que temos vindo a assistir, da presença de multidões a prestar uma derradeira homenagem à Rainha são a demonstração última desta realidade.

Nos antípodas comportamentais e geográficos estão as imagens do primeiro-ministro António Costa a dançar desajeitadamente, em Maputo, com uma cidadã moçambicana que, para além de um protocolo inexistente, dançava com o presidente do governo de Portugal com um martelo na mão. Amadorismo no protocolo, amadorismo na atitude, mas, acima de tudo, um escandaloso e desajeitado amadorismo na segurança.

Pessoalmente, considero muito preocupante a forma como António Costa não conduz o país para reformas e o modo jeitoso como convence o eleitor a acreditar num conjunto de mensagens sem reflexo na actividade governativa.

O PS de Sócrates e António Costa têm-nos prejudicado a todos e contribuído de forma muito expressiva para o empobrecimento generalizado. Deviam ser acusados de terrorismo económico.

Ver o primeiro-ministro de Portugal a dançar, em Maputo (cidade que bem conheço e onde já leccionei em cerca de 15 edições de MBA), de forma patética, exposta e desajeitada envergonha-me perante o resto do mundo e, principalmente, perante o povo irmão moçambicano.

Somos geridos por um governo mal preparado e desajeitado. Até na dança.

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