Opinião

Costalândia

Joaquim Jorge


António Costa, de uma forma única e sibilina, em vez de dar um aumento das pensões de 8% a partir de Outubro, antecipou meia pensão tributada que, no futuro, é penalizante, pois o aumento será, em Janeiro, de 4,5%.

A regra da actualização das pensões criada em 2008 exige um aumento de 8% a partir de Janeiro.

António Costa continua inatingível e incrível! Até um dia em que os portugueses se fartem. Para já, o que ouço é que é melhor que nada. A habitual mentalidade portuguesa.

Com este pseudobónus, no aumento das pensões em 2023, os pensionistas recebem o mesmo. Porém, a prazo, os pensionistas saem a perder. Porquê? Ao dar agora metade da pensão, esse aumento é enganador.

O aumento obrigatório por lei, em vez de ser de 8%, fica-se pelos 4,5%. Sendo assim, o próximo aumento em 2024 será menor.

Dá com uma mão e recua com a outra.

Segundo li no Público, uma pensão de 400€ com o aumento de 2023, de 4,43%, passa a receber 417,7€. Se o aumento fosse de 8%, a pensão seria de 432€.

O que é razoável agora é mau no futuro.

E os salários de quem está a trabalhar? Fica-se pelos 125€ até quem ganha 2700€. Depois, logo se vê.

Esta forma intricada que António Costa arranjou nas pensões já está a pensar no aumento dos funcionários públicos e restantes funcionários, de forma a limitar esses aumentos.

Restringe e limita agora, ainda estamos longe das próximas eleições (2026), para abrir os cordões à bolsa em ano de eleições, ficando com margem de manobra. E tem o feeling de que a inflação possa descer. Deste modo, controla a situação e o descontentamento.

Vamos ter um Outono quente no aspecto político e económico. A contestação provocada pelo aumento de preços e a subida da inflação augura um final de ano deveras problemático e com saídas à rua em várias manifestações de várias classes: médicos, enfermeiros, professores, polícias, etc.

Para acrescentar a tudo isto, temos um novo OE2023. O OE2022 teve uma longevidade efémera, provocada pelas eleições legislativas antecipadas.

Nada de que António Costa não consiga dar conta, com a sua arte de sorrir perante as câmaras e, nos bastidores, engendrar uma solução.

Até um dia...

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