Opinião

Costa vs. Chicão, Cotrim vs. Ventura e Cotrim vs. Rio – as notas dos debates

Tiago Mendonça


No debate entre o primeiro-ministro e o líder do CDS vimos dois protagonistas a falar para o seu eleitorado. António Costa, encostado à esquerda, a justificar o voto útil, lembrando que o PS é o partido do SNS e da escola pública. Chicão, por seu turno, atacou a ideologia de género (embora, no confronto entre as disciplinas de Cidadania e Religião e Moral, Costa tenho dado melhor resposta que FRS), sinalizando a via verde na saúde e ensaiando um modelo educacional com mais privado. O debate seguiu taco a taco quase até ao fim, quando Chicão conseguiu terminar melhor, na questão fiscal. Francisco Rodrigues dos Santos evoluiu muito ao longo dos debates e, para mim, ainda que marginalmente, ganhou este.

Costa – 7

FRS – 8

Cotrim Figueiredo, finalmente, saiu da casca. Estava muito enérgico e com uma capacidade de resposta acima da média no combate com André Ventura que, do meu ponto de vista, pareceu mais cansado neste debate. Ventura conseguiu demonstrar algumas contradições na IL, nomeadamente a mudança de posição sobre o aluno custear os seus estudos. Uma nova contradição foi relativamente à prisão preventiva ter de ser apenas de três meses, em que deu a sensação de que Cotrim não sabia o que estava no programa ou não concordava com ele. Em todo o caso, um Ventura menos cansado não teria largado o osso. Do meu ponto de vista, apesar disso, Cotrim foi aquele que conseguiu travar Ventura de forma mais eficaz.

Ventura – 7

Cotrim – 8

Um dos debates de que mais gostei foi entre Rui Rio e Cotrim Figueiredo. Na questão fiscal, que ocupou a primeira metade do debate, julgo que foram mais compreensíveis as propostas da Iniciativa Liberal, ganhando aí pontos o líder da IL. Nos outros pontos, o debate foi mais equilibrado. Na questão das privatizações, no final de contas, não existe divergência profunda, embora me tenha parecido que o quadro lógico apresentado por Rio foi mais cristalino que o de Cotrim. Já sobre saúde e educação, Rui Rio encostou ao centro, com um discurso mais próximo do PS, e, nesse capítulo, as divergências foram de maior monta. Mas Cotrim conseguiu, na educação, explicar muito bem as suas ideias, até num plano superior a Rio. Ambos falaram para o seu eleitorado, lançaram pontes de futuro e ganharam votos: Rio, ao centro e a um eleitorado de direita que está hesitante em conceder-lhe o voto útil; Cotrim, afirmando as propostas liberais e marcando algumas clivagens, até com o PSD, na velocidade com que pretende fazer as reformas.

Rio – 8

Cotrim – 8

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