Opinião

Convocar a maioria silenciosa

Diogo Agostinho


Quando este artigo chegar às bancas estaremos a 24 horas do acto eleitoral para decidir o próximo presidente do PPD/PSD. É, por inerência, um candidato a primeiro-ministro. Não é uma escolha menor. É uma escolha essencial para os portugueses.

Cresci a ouvir os congressos do partido à antiga. Vibrava. O PSD sempre foi o partido mais português de Portugal. Assim apelidado, era o partido que colava o país aos ecrãs com os seus congressos. Mas não era isso o importante. Era o partido que trazia as forças vivas das terras. Aqueles que discursavam, dos militantes mais anónimos aos “notáveis”, tinham uma linguagem simples e directa para com a população.

E o partido conseguiu dar, além de Francisco Sá Carneiro, quatro líderes que ocuparam o cargo de primeiro-ministro e que ou mudaram o país ou o salvaram do rumo da tragédia socialista. Falo de Cavaco Silva, no primeiro caso, e de Durão Barroso, Santana Lopes e Passos Coelho, no segundo caso.

Ora, o PPD/PSD vai de novo a votos. Uma escolha a dois meses de eleições legislativas. Umas eleições pensadas ao milímetro por António Costa que, pela sua contabilidade pessoal, forçou o país a este acto eleitoral. E aqui estamos.

Como se desperta um país adormecido? Como se volta a criar uma chama de mudança num país enviesado à esquerda e sem força para combates ideológicos?

Este é o ponto crucial nos próximos dois meses. Virar o país do avesso, para o recolocar na rota do crescimento. Que futuro pode ter um país de mão estendida à espera do dinheiro do PRR, sem qualquer rumo ou coragem para reformas?

Sublinho a palavra coragem. Falta muita coragem na política em Portugal. Coragem de assumir rupturas, de afrontar o statu quo, de conseguir rasgar para lá das pressões normais do imobilismo, que nos condena à estagnação.

Falta falar para a maioria silenciosa que, lá em casa, encolhe os ombros e diz: “São todos iguais.”

Ora, é isso que vai a votos no PPD/PSD, primeiro, e no país, a 30 de Janeiro. Convocar a maioria silenciosa que já deu tantas vitórias e tem a sabedoria de escolher a melhor opção quando os problemas surgem. Essa maioria existe. E está farta de uma agenda de facilitismo, de fetiche animal e de ataques severos às tradições, independentemente da sua valia. Em prol de uma sociedade sem classes, acabamos na cultura sem classe. Somos um país pobre. Mas, pior, somos um país virado à esquerda, mas elitista e desigual. E vamos pagar caro os anos perdidos com esta geringonça. Há um combate ideológico a ser feito. De defesa de uma sociedade livre, efectivamente, mas geradora de riqueza para melhor a distribuir por todos os cidadãos. Sem complexos e sem puxar para baixo. Com um programa arrojado. Sem medo e com coragem de fazer o óbvio.

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