Opinião

Chega de conversa sobre o Chega

Carlos Reis dos Santos


Quem, dentro do PSD, se preocupa obsessivamente em falar do Chega ou é sonso ou é simplesmente tonto. No actual momento político, falar constantemente do Chega serve apenas para ajudar António Costa. É fazer, objectivamente, o jogo do PS. E, para algumas personalidades que procuram sobressair no PSD, significa apenas uma tentação fútil de obter elogios fáceis junto das redacções únicas e do comentariado oficialista.

Sejamos claros: o PSD não tem de clarificar coisa nenhuma na sua relação com o Chega. Pelo contrário, quem tem de clarificar o seu compromisso com a democracia liberal e a relação com o PSD e as restantes forças políticas democráticas do centro e direita democráticos é o Chega.

O que se impõe agora é uma clarificação do PS que, após a guerra de agressão à Ucrânia e a emergência do revisionismo imperial antiocidental, e a consequente nova fase da ordem internacional e europeia, terá de definir a relação com as esquerdas comunistas e antiocidentais. O PS é que tem de fazer uma clarificação do seu posicionamento com os comunistas e pós-comunistas e um balanço crítico do suposto muro que, alegadamente, aqui derrubou em 2015, mas que se voltou a erguer na Europa e no mundo desde 24 de Fevereiro de 2022.

Nesse sentido, o PSD não tem nada a clarificar nem quaisquer contas a prestar quanto ao seu compromisso com a democracia liberal, a Europa e a NATO, nem quanto à sua natureza humanista e aos seus valores personalistas.

Fazer o contrário é fazer o jogo dos socialistas.

Chega de Chega.

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