Opinião

Carta ao Luís Montenegro

Diogo Agostinho


Caro Luís, este fim-de-semana irá assumir a liderança da oposição em Portugal. Não é uma mera mudança de líder do PPD/PSD. É a certeza de que, passados quatro anos de um enorme imobilismo e de uma enorme falta de capacidade para fiscalizar os governos de António Costa, podemos esperar que exista finalmente a construção de uma alternativa.

Precisamos com urgência. Este país está à deriva. Tem um governo que não existe, sobrevive. Tem um primeiro-ministro que apenas se preocupa com a sobrevivência e a ocupação do poder. Não temos uma única estratégia de país. Não temos um único objectivo colectivo. Andamos por aqui. Sem rumo, sem grandes metas. Numa política de subsistência. Pobres, com estímulos para agradar à maioria. Somos um país que, de há seis anos para cá, ataca quem quer criar riqueza. Aliás, riqueza é uma palavra proibida cá. Falamos sempre de subsídios, de apoios, de medidas paliativas para serviços públicos medíocres. Mas não falamos de riqueza. De criação de riqueza. Não falamos de ter uma sociedade pujante. De termos mais empresários. Existe cá um primeiro-ministro que, por um lado, nos dá a maior carga fiscal existente, por outro, pede aos empresários aumentos de salários para os trabalhadores. Ou seja, existe por cá uma política de desresponsabilização.

Mas, caro Luís Montenegro, não perca tempo com tricas partidárias. O PSD é hoje uma marca ferida, sem chama, sem alma e, pior, sem ligação às pessoas. Por isso, esqueça as contas do partido e as lógicas de mercearia. Olhe para o país. Olhe para o país como um todo além de congresso e distritais. Olhe para o país com a vontade de alargar, de abrir. Abra as portas do PSD. Abra as portas ao moderno, às causas que contam. Com coragem. Existe muita falta de coragem na política em Portugal. Não viva para as sondagens. Não viva obcecado com os noticiários e com a comunicação social. Tenha um rumo. Apresente ideias concretas para mudar este país cada vez mais imóvel. Hoje, não temos SNS, também vai explodir a educação. Pagamos impostos pesados, mas não temos serviços públicos de qualidade. Logo, a receita é clara. É preciso gestão, rigor e metas. Mas é preciso também envolver as pessoas.

O PSD sofreu um tempo de total apagamento nestes quatro anos, mas também tem uma memória colectiva de austeridade, fruto da narrativa da esquerda que pegou em muitas franjas da população. Para muitos, o PSD é o mau da fita. Não foi. A História demonstra o contrário. Mas agora é tempo de olhar para o futuro. De frente. Com coragem. Pior do que está não fica. Nem o PSD, nem o país. Logo, meu caro Luís Montenegro, assuma a liderança de mudar isto tudo. Mostre vontade e desprendimento. Este Governo é um misto de pântano e de pré-bancarrota, como ficou evidente com a situação entre Pedro Nuno Santos e António Costa. Já não serve. Não tem liderança nem credibilidade.

PUB