Opinião

Basta de irresponsabilidade!

Constança Martins da Cunha


Não se compreende tanta excitação com a perspectiva de eventual dissolução do Parlamento. Paralisar um país que começa aos poucos a recuperar dos graves efeitos da pandemia é uma atitude irresponsável, ainda para mais quando se prevê um Inverno de crise a vários níveis.

Neste momento, ver aprovado um mau orçamento seria melhor do que não ter nenhum. Mas pelo que ouvi do triste espectáculo do debate parlamentar, temo que não seja esse o entendimento nem dos parceiros da geringonça e nem mesmo do PS, que parece suplicar às estrelinhas para o documento não ser aprovado.

Mas também não se vê qual seria o problema de o governo continuar em funções sem o orçamento aprovado. Já ninguém se lembra que foi o que sucedeu em 2020, quando o orçamento apenas foi aprovado na generalidade em Janeiro e publicado em Diário da República a 31 de Março? Na altura não passou pela cabeça de ninguém a brilhante ideia de provocar uma crise política e dissolver o parlamento.

Posso até perceber quais os reais motivos nos bastidores desta encenação. Não posso no entanto admitir que, por meras birras e caprichos, se coloque o país em suspenso numa altura em que já está tudo em risco de ficar de pernas para o ar.

Este não é um momento para mais experimentalismos e os portugueses estão fartos de tanta irresponsabilidade. Adicionar uma crise política, a uma crise sanitária, uma crise energética, uma crise económica e uma crise de abastecimentos em perspectiva é um contra-senso intolerável que demonstra uma total falta de respeito pelos portugueses e de consideração pelo interesse nacional.

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