Opinião

Autogolo

Rubina Berardo


Hoje a atenção nacional vai estar focada no jogo com a França, mas convinha também olhar para a Allianz Arena em Munique. E não me refiro somente às contabilidades futebolísticas.

A UEFA rejeitou o pedido da Câmara Municipal de Munique para iluminar o seu estádio com as cores do arco-íris durante o jogo Alemanha-Hungria, como forma de apoiar os direitos LGBTQ+. A UEFA esconde-se atrás da sua suposta neutralidade, e diz que a iluminação do estádio seria uma afirmação política.

Veja-se então a reação do ministro dos negócios estrangeiros húngaro, que naturalmente saúda a decisão da UEFA à luz das mudanças legislativas anti-tolerância no seu país e diz o quão perigoso é “misturar política com desporto e que se há alguém que sabe disso são os alemães”. É a cereja em cima do bolo do insulto, pois quem senão o seu governo injetou milhões no futebol precisamente para robustecer o espírito nacionalista, tão evidente das bancadas de adeptos com t-shirts pretas que temos visto nas televisões?

Que confortável deve ser o cantinho da neutralidade, do cinzentismo, da tentativa falhada de ingenuidade de quem alega só estar a organizar provas desportivas. O futebol tem graves problemas resultantes da homofobia e do racismo, todos sabemos isso. E as campanhas de sensibilização são fundamentais, ainda para mais, neste caso, durante o mês de orgulho LGBTQ+.

A rejeição da UEFA é em si mesma uma mensagem política, que vai em sentido contrário aos objetivos da tolerância e diversidade. Que monumental autogolo, UEFA!