Opinião

Autárquicas: Vamos à Análise (IV) – Coimbra, Figueira da Foz, Peniche, Guimarães e Viseu

Tiago Mendonça


TÓPICOS

Esclarecimento (Artigo Anterior) – Seixal: No artigo de opinião anterior, por lapso – uma valente argolada, em bom português – referi que o candidato da CDU às eleições autárquicas no Seixal era Joaquim Santos, vice-presidente da câmara municipal do Seixal. Ora, tal não corresponde à verdade. Joaquim Santos foi vice-presidente de câmara municipal mas desde 2013 que é o Presidente de Câmara. Assim, quando escrevi que era uma aposta na continuidade mas..., não existe nenhum mas. É mesmo uma aposta na continuidade. O Gabinete do Apoio ao Presidente da Câmara fez-nos chegar este esclarecimento, que muito agradeço, e, por este meio, peço desculpa a todos os intervenientes.

Coimbra

Será um dos bastiões mais importantes para a continuidade de Rui Rio no PSD. Uma coligação de vários partidos, o maior dos quais, o PSD, apoia o ex-bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva. O incumbente é Manuel Machado, do Partido Socialista, que em 2013 e 2017 ganhou as eleições com 35% dos votos e 5 vereadores numa câmara de 11. O grande motivo de interesse é que esta coligação desafiadora tem os elementos do Somos Coimbra, um movimento independente, que elegeu 2 vereadores nas últimas eleições. Quem encabeçava o movimento? José Manuel Silva. Se fosse um somatório dos votos do PSD e CDS (já coligados em 2017) e de José Manuel Silva, seriam 5 ou até 6 os vereadores eleitos, e mais de 28.000 votos, uma vitória segura, provavelmente absoluta. A questão é que muito voto independente não se mantém quando o candidato passa para uma lógica partidária. As pessoas que votam em movimentos independentes fazem-no por estarem fartas dos partidos. O candidato terá que passar uma ideia de que foram os partidos que decidiram não apresentar uma candidatura para apoiar um movimento independente. Ora esse discurso é impossível porque o interesse do PSD é ganhar a Câmara Municipal – poder dizer que ganhou. Aliás, isso já levou, inclusivamente, a um bate-boca, com o candidato a lembrar que não era o candidato do PSD mas de várias sensibilidades. Penso que será uma candidatura forte, mas que não será o suficiente para destronar o presidente de câmara socialista. Numa ideia, acho que se perdem, neste arranjo, mais de 4 ou 5 mil votos, e vão deixar a coligação atrás do PS. Muitos dos que votaram independente, vão transitar para a Iniciativa Liberal e para o Chega. Talvez o PS mantenha o 5.º vereador, a coligação liderada pelo PSD chegue aos 4 e depois sobram 2. O mais normal será o PCP manter o seu vereador e o Bloco, integrado na Coligação Cidadãos por Coimbra eleja o outro vereador. Vejo aqui mais dificuldade para o Chega eleger. Mas veremos.

Figueira da Foz

Já saiu uma sondagem que dá a vitória a Pedro Santana Lopes que, sem qualquer dúvida, abrilhanta a corrida àquele município. Neste momento está 6-3 em vereadores, ganha o PS. A quem vai buscar votos Pedro Santana Lopes? A todo o lado. O PSD, penso que perderá, pelo menos, dois vereadores para a candidatura de Pedro Santana Lopes e ficará reduzido a um vereador único. A dúvida é como se vão distribuir os outros oito. 4 para PSL e 4 para o Partido Socialista? E em caso de vitória para Pedro Santana Lopes se for minoritária quem lhe dará a mão? O PSD? Parece difícil. Certo e sabido é que, desta vez, a noite eleitoral passa pela Figueira da Foz.

Peniche

É absolutamente impossível afiançar quem ganha em Peniche. Em 2001, ganhou o PS com 39,42% dos votos, PCP ficou a 10% e o PSD a quase 15%. Em 2005, o PCP ganhou a Câmara Municipal e o Partido Socialista ficou em segundo. As percentagens foram praticamente as inversas, sendo que o PSD cresceu um bocadinho. Em 2009, o PCP voltou a ganhar a Câmara Municipal e reforçou o seu resultado com uma maioria absoluta. O PSD ultrapassou o PS que elegeu apenas um vereador e ficou com menos 25% dos votos do que o PCP. Em 2013, o PS volta a trocar de posição com o PSD conquistando a medalha de prata, sendo que o PCP volta a ganhar mas perde a maioria absoluta. Em 2017, o PCP após três vitórias seguidas fica em...4.º lugar. 15% e apenas 1 vereador. O PS volta a ser ultrapassado pelo PSD e fica apenas com um vereador. O PSD elege 2 e fica a 2% dos vencedores, um grupo de cidadãos que com 31% arrebatou a Câmara Municipal. Nesta caldeirada penichense, as quatro juntas são lideradas por forças políticas diferentes. Já estão tontos? É a democracia a funcionar, dizem! O líder da autarquia, Henrique Bertino é recandidato. Volta à luta o candidato do PSD Filipe Sales. Ângelo Marques vai pelo PS. Quem ganhará? Não faço a mínima ideia. É por isso que as eleições em Peniche têm sempre tanta piada. Tudo pode mesmo acontecer. Noutro contexto (mais favorável ao PSD) eu arriscaria num triunfo inédito dos laranjas. Mas talvez se mantenha o movimento independente. Só sei que não apostava nem um euro no vencedor desta corrida!

Guimarães

Domingos Bragança lidera a câmara da histórica cidade minhota, depois de uma vitória clara em 2017: 51,52% dos votos que permitiram a manutenção dos seis vereadores e a consequente maioria absoluta. A recandidatura e o bom momento dos socialistas fazem antever uma vitória tranquila do PS neste reduto. O PSD, lutará por aguentar os cinco vereadores e manter o cenário 6-5 verificado em 2017. Julgo que existe um vereador em disputa (o 5.º do PSD) tendo em consideração que os social-democratas em 2013 até só elegeram 4 e, nessa ocasião, foi o PCP a conseguir eleger. Alguma fragmentação de voto à direita poderá permitir ao PCP regressar à vereação, pode, inclusivamente, possibilitar o sétimo vereador ao PS ou, até, uma nova entrada, que a meu ver seria sempre do Chega. Os votos que Ventura conseguiu nas presidenciais seriam o suficiente para eleição de um vereador. Quanto à Assembleia Municipal, parece clara a eleição de 1 ou 2 deputados municipais pelo Chega e a Iniciativa Liberal luta por eleger um deputado (o que é bastante provável).

Viseu

A eleição será sempre ensombrada pela morte do presidente de câmara municipal, Almeida Henriques que se preparava para o seu derradeiro mandato na liderança do município de Viseu após duas vitórias por maioria absoluta: em 2013 com 46,37% dos votos e 5 vereadores (em 9) em 2017 com 51,74% dos votos (+ 3.000 em face a 2013) e seis vereadores. O PS nas últimas três eleições tem mantido percentagens de voto idênticas – 26,3% em 2009, 26,8% em 2013 e 26,5% em 2017. Mesmo que se possa pensar numa pequena subida dos socialistas, julgo que dificilmente vão conseguir o quarto vereador, parecendo, a vitória uma autêntica miragem. O candidato do PSD é o regressado Fernando Ruas que com 72 anos tenta voltar à cadeira que ocupou entre 1989 e 2013. Na eleição de 2009, tinha conseguido 62% dos votos e sete vereadores. Parece ser razoável de prever uma vitória com maioria absoluta para o PSD. O CDS que elegeu um vereador em 2013 com 4.414 votos parece não o voltará a fazer. O Chega aparece com algumas possibilidades de o conseguir fazer, existindo alguma força no eventual cenário de 5-3-1. Mesmo assim será difícil. A dúvida, na Assembleia Municipal é se o CDS se aguenta – difícil – se a IL elege – também não é fácil. O Chega entrará para o parlamento municipal, o BE admito que se aguente, o PCP não garanto.

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