Opinião

As oportunidades de uma pandemia

Tiago Fernandes


Desde março de 2020 que Portugal e a Europa enfrentam uma pandemia que nos tem criado inúmeros desafios à nossa vida em comunidade. Vivemos, há mais de 1 ano, num mundo a várias velocidades onde as assimetrias se afirmam cada vez mais, onde quem tem a possibilidade de ter um computador e acesso à internet não perdeu aulas e, quem não tem, perdeu.

Numa era da globalização, marcada por uma velocidade de transmissão de conhecimentos nunca antes vista, ficar de fora é perder anos face a quem não fica. Um pouco por todo o país, várias pessoas perderam esse acesso a um direito basilar, o direito ao conhecimento.

Mas não só, perdemos também contactos humanos, de proximidade, que são a base das nossas comunidades e das nossas relações, sejam comerciais, pessoais ou sociais.

Contudo, no meio de uma pandemia, será possível afirmar que existem oportunidades? Sim!

Os territórios de baixa densidade têm, na pandemia, uma oportunidade de se afirmarem como verdadeiros polos de atração de pessoas e famílias, mas também de indústrias, tradicionais e tecnológicas, pela qualidade de vida que proporcionam.

Vivendo em Vale de Cambra, posso afirmar que existem aqui todas as condições para que esta se afirme como um território de elevada qualidade de vida pois já possui, de base, o essencial, desde o seu posicionamento geográfico, a 50km de Aveiro e do Porto, às excelentes acessibilidades, passando pelas infraestruturas nucleares que todos precisamos.

Então, o que falta? Falta, como em muitas outras localidades similares, o desenvolvimento de uma estratégia que permita o potenciar das nossas mais-valias. A criação de uma boa rede de mobilidade interna, dentro do próprio concelho, e externa, de ligação à região onde nos inserimos. A garantia, numa era em que o teletrabalho assume particular destaque, de que a rede de telecomunicações do concelho responde a essas necessidades e de que nenhum jovem perde o acesso ao conhecimento.

E, claro está, o desenvolvimento de estratégias culturais, desportivas e sociais que vão ao encontro de quem procura um território para se fixar.

Só assim, começando já hoje a pensar o futuro, conseguimos garantir que territórios de baixa densidade como Vale de Cambra, têm futuro!

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