Opinião

As novas elites do pensamento único

Rita Matias


Ninguém fica impune perante a nova inquisição e os seus executores-mores. Plenos dos seus autoproclamados poderes de censura, tão depressa procuram executar o cidadão mais comum como também a figura mais galáctica. Sim, nem o melhor do mundo é imune à cultura de cancelamento e aos seus principais promotores - os órgãos de comunicação social, que trocam a nobre missão de narrar com objectividade factos e acontecimentos por uma agenda ideológica vassala dos poderes instalados.

No centro da “polémica” fabricada está Cristiano Ronaldo e uma fotografia que partilhou nas suas redes sociais ao lado de Jordan Peterson. O crime de Cristiano foi esse mesmo. Aparecer ao lado de um dos psicólogos mais reputados dos dias de hoje, autor de livros com milhares de exemplares vendidos em todo o mundo e com milhões de visualizações no YouTube. Já na extensa lista de falhas apontadas pela nova inquisição a Jordan Peterson, constam, por exemplo, os seus posicionamentos críticos face a alterações gramaticais para a criação de pronomes “neutros”, críticas ao feminismo ou aos “privilégios” que as narrativas dominantes nos tentam imputar. Segundo as notícias veiculadas, Cristiano Ronaldo terá sido alvo de uma dura onda de críticas, numa suposta rejeição por parte dos seus seguidores ao seu post, que apenas demonstra um momento de convívio entre as duas figuras públicas. No entanto, ao abrir o perfil de CR7 nas diversas redes sociais vemos que o post não só tem um número de likes e interacções perfeitamente dentro da média das suas publicações, como a larga maioria dos comentários elogiam o conteúdo partilhado. Uma vez mais, alguns órgãos vampirescos a nível nacional e internacional, procuram criar alarmismo, em questões perfeitamente pacificadas, promovendo um espírito de censura e descriminação.

Tudo isto nos deveria levar à reflexão. Uma sociedade que se diz cada vez mais inclusiva é, na verdade, cada vez mais intolerante para com aqueles que ousam discordar do que é política e socialmente aceite dizer. O dito chão comum da democracia reduz-se de dia para dia, e ouso até dizer que nenhum regime autoritário foi tão bem sucedido na imposição do pensamento único como agora vai sendo imposto e na tentativa de controlo das massas.

Pensamento livre? Espírito crítico? Divergências? Sim. Mas só dentro do que as novas elites permitem. Elites essas que não foram mandatadas para tal. Elites essas que têm argumentos pouco científicos e muito ideológicos. Elites essas que negam o bem comum num espírito hedonista de maximização do prazer pessoal, custe o que custar, esmague quem esmagar. E o mundo avança cada vez mais desigual. Se Cristiano Ronaldo pode resistir social e economicamente a este cancelamento, o indivíduo comum não, pois ao mínimo sinal de divergência vê o seu trabalho em risco, tal como as suas amizades e até os relacionamentos familiares.

Os principais inimigos da democracia e do Ocidente são precisamente aqueles que se escudam atrás dos seus argumentos e conquistas.

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