Opinião

As notas de IL vs. PAN, PSD vs. CDS, PS vs. PAN e PSD vs. Livre

Tiago Mendonça


Iniciativa Liberal versus PAN

Um belo debate, sempre num tom elevado e muito esclarecedor das propostas de ambos os partidos. João Cotrim Figueiredo, porém, esteve um pouco mais defensivo e reactivo, nunca partindo para a confrontação e tendo dificuldade em explanar os seus argumentos, sobretudo na política fiscal. Mas esteve competente e uns furos acima dos últimos debates. Quanto a Inês de Sousa Real, foi o melhor debate. Muito segura, excelente na argumentação, resposta para tudo, abordando as questões ecológicas com sensatez. Não só o eleitorado PAN se deve ter revisto como algum eleitorado PS e PSD viu no PAN uma possibilidade, até porque oferece garantias de estabilidade a ambos.

Cotrim Figueiredo – 7

Inês de Sousa Real – 9

PSD versus CDS

Rui Rio apontou claramente ao centro político desde que ganhou a liderança do PSD e não se demove um milímetro. No debate, voltou a insistir que o PSD não é de direita. Mas no programa eleitoral e, depois, no debate, disse coisas que certamente agradam ao eleitorado de direita, como a descida do IRC logo nos primeiros dois anos de legislatura. A descida dos impostos é talvez a medida mais importante para o eleitorado indeciso entre votar PSD ou IL. O argumento do voto útil já balança a favor de Rio mas, depois, demonstrando que a agenda para os próximos quatro anos é de acabar com o saque fiscal, julgo que reforça a sua posição, estancando o crescimento da IL, que tem estado, como digo, mais calminha que o habitual. Francisco Rodrigues dos Santos esteve, neste debate, mais sóbrio e mais à altura dos pergaminhos de um partido como o CDS. Marcou a diferença em relação ao PSD onde podia fazê-lo: nos temas fracturantes. Existe um eleitorado conservador de direita que não vai nas cantigas do Chega e que pode olhar para o CDS como uma alternativa sólida. Os dois cumpriram os seus objectivos num grau de competência elevado.

Rui Rio – 7

Francisco Rodrigues dos Santos – 7

PS versus PAN

Inês de Sousa Real melhorou imenso nestes últimos dois debates face aos anteriores. Esteve soberba no debate com António Costa, beneficiando, porém, de os debates com o seu partido serem sempre sobre os temas centrais do seu programa. Defendeu com clareza a questão do aeroporto, manteve a equidistância para com PS e PSD (deixando uma farpa ao primeiro-ministro) e explicou bem a sua oposição ao lítio até com argumentos de cariz económico, reforçando o turismo de natureza. Na parte dos escalões de IRS não divergiu de António Costa, perdendo-se um pouco no projecto-piloto do rendimento básico universal. O primeiro-ministro também esteve bem, demonstrando as diferenças e empregando no discurso critérios de racionalidade que foram relevantes para segmentar o eleitorado. Penso que o PAN tenta ir buscar votos ao Partido Socialista (eleitorados podem ser conflituantes) e António Costa não conseguiu, aí, explicar bem o voto útil, até porque foi sempre elogioso para com Inês de Sousa Real e o PAN. Em alguns momentos adoptou um tom professoral (tolerável), mas num ou noutro momento parecia que se iria irritar (o que já não é aceitável).

António Costa – 7

Inês de Sousa Real – 9

PSD versus Livre

O primeiro debate depois de o PSD ter apresentado o seu programa eleitoral. Rui Rio, quando atacou, piscou o olho à direita quando falou de “bandalheira”, criticou a impunidade nas ofensas ao Presidente da República e voltou a criticar a possibilidade de existir subsídio de desemprego em casos de desemprego voluntário. Rui Tavares podia ter explicado melhor a medida, mas não conseguiu e ficou fragilizado. No rendimento mínimo global, a mesma coisa. Desse ponto de vista, Rui Rio disse mais ou menos as mesmas coisas que Ventura, mas pareceu-me que de forma mais efectiva. Na parte do programa eleitoral demonstrou conhecimento dos dossiês, números bem sabidos e, com a proposta de descida do IRC e do IVA na restauração, marca muitos pontos no eleitorado de direita que possa estar indeciso. Foi o debate em que acho que Rio esteve melhor.

Rui Rio – 8

Rui Tavares –6

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