Opinião

As feministas desprezam as mulheres da direita

Rita Matias


O ser humano estabelece-se com base em exemplos e referências. Um bebé desenvolve-se observando e imitando o que vê, interagindo assim com a sua realidade. Os movimentos cívicos, políticos e sociais obedecem à mesma lógica. A sua força reside na capacidade de influenciar as massas e inspirá-las, tendo como exemplo e referência pessoas que alcancem determinados feitos.

O movimento feminista é solícito a enaltecer mulheres que, superando obstáculos e quebrando barreiras, atingem pela primeira vez um papel de destaque e preponderância. Mulheres como Victoria Woodhull, a primeira a concorrer em eleições presidenciais nos Estados Unidos; Marie Curie, a primeira a ganhar um Nobel; Valentina Tereshkova, a primeira a ir ao espaço.

Torna-se, por isso, ensurdecedor o silêncio generalizado da imprensa perante a recém-eleita Presidente da Hungria, que tomou posse esta semana. Além de ser a primeira mulher nestas funções, é também a mais jovem de sempre neste cargo. As suas primeiras palavras ao país [“Quero ser uma boa Presidente para a Hungria por ser mulher – e não apesar de ser mulher”] seriam referidas em inúmeros discursos e difundidas em todas as redes sociais não fosse Katalin Novak uma mulher de direita, conservadora, patriota e defensora da “família como chave para a sustentabilidade”.

O caminho impressionante de Katalin enquanto ministra do Trabalho, mais tarde, ministra da Família, e agora eleita por maioria do Parlamento para o mais alto cargo da nação húngara, é ignorado precisamente porque o seu discurso não fica por aí. Casada e mãe de três filhos, reconhecendo as dificuldades de ser mãe, de gerir uma carreira e constituir família, definiu como prioridade na sua acção política a defesa da liberdade de as mulheres poderem decidir quando devem regressar ao trabalho; a possibilidade de terem um equilíbrio entre as dinâmicas laborais e familiares ou de se dedicarem exclusivamente à família. Dessa forma, criou inúmeros apoios às famílias e aos jovens. Desde apoios estatais a jovens casais para obtenção de créditos à habitação e arrendamentos mais acessíveis a isenções fiscais a partir do quarto filho ou apoios à renovação de habitações familiares.

O que é facto é que as políticas de natalidade seguidas pelo Governo de Viktor Orbán, com o apoio desta ex-ministra, têm revertido a quebra da natalidade no país, adoptando como solução a promoção de “nascimentos húngaros”, fugindo à máxima europeia que tenta resolver a questão demográfica com migração.

Para estes movimentos, não é concebível que a família seja célula-base da sociedade. Por isso, continuarão a ignorar quem defenda que a mulher possa ter a liberdade de ser o que quiser. É a tirania de que a mulher só pode ser “empoderada” se for livre de laços e responsabilidades, nomeadamente familiares.

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