Opinião

Aos empresários

Ana Pedrosa-Augusto


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Aos empresários,

Àqueles que vivem em sobressalto a pensar como manter as portas abertas, como angariar clientes, como produzir, como inovar;

Aos que em pouquíssimas horas se adaptam ao desvario louco das regras impostas pelos Conselhos de Ministros semanais;

Aos que não dormem a pensar como manter-se à tona para pagar salários (pagar = relação sinalagmática);

Aos que tudo raspam para entregar o dinheiro dos impostos ao Estado (entregar = relação de imposição coerciva e com parco ou nenhum sinalagma);

A quantos criam emprego e riqueza;

A quantos vivem em incerteza;

Aos que assumem o brutal risco de empreender, de ser autónomo – mas nunca independente, pois assim não se é quando se tem nas mãos a vida de outros;

Aos que continuam o caminho sem garantia de justiça célere e eficaz;

Aos que persistem perante a instabilidade legislativa nacional;

A esses, aos verdadeiros empresários, aos que gerem as suas empresas e as suas equipas e que ainda permitem a ambição e os sonhos das pessoas que os acompanham;

A estes, que são a base da nossa economia, do nosso PIB, da nossa mísera riqueza;

A estes, que sofrem agora também do rótulo da corrupção, malvadez, tirania e despotismo que resulta deste plat du jour que a justiça agora confeciona e nos dá;

A estes verdadeiros empresários e para estes,

Haja força, dimensão, resistência e vontade para continuar!

Porque não têm nem terão, neste poder político de esquerda, parceiro que desimpeça o caminho e saia da frente.

Não têm nem terão desta esquerda, parte dela envolvida em teias de relações impossíveis de decorar, mas que os eleitores teimam em não relevar, reconhecimento do mérito do seu trabalho.

Dela, da esquerda que escolhe o uso da justiça e dos seus agentes, da comunicação social e da liberdade de expressão, não verão incentivo à produção.

Nela encontrarão cada vez maior agressividade perante a iniciativa privada, ainda óbice à total centralização num gigante polvo que em tudo e todos tem os seus tentáculos.

Por isto Portugal não cresce. Portugal é mais opaco e menos transparente. Acordamos cada dia com mais autoridade, mais imposições e mais restrições. Com mais Estado e menos iniciativa privada. Com mais nacionalizações e menos crescimento. Com mais amarras e menos liberdade.

É por isso mesmo necessário gritar, a plenos pulmões, gritar pela força, dimensão, resiliência e vontade para continuar. E para resistir e lutar.

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