Opinião

Algarve a Seis Mãos – MOFO Político no Algarve

André Oliveira


Nas últimas eleições estavam inscritos no Algarve 380.371 eleitores distribuídos em 16 concelhos. O que me espanta (ou não), é o número de eleitores que se deslocaram às urnas 194.967 votantes, estamos perante uma região que tem aproximadamente 49% de abstenção de voto (doença silenciosa da democracia). Estaremos nós diante uma situação de descrédito político ou que os políticos cheiram a MOFO nas suas abordagens?! É necessário “acordar” para a vida, já nada surpreende a nível partidário na escolha dos cabeças de lista e na sua simbologia, são necessárias mensagens fortes, claras e com dinamismo que possam mobilizar a juventude/seniores e acreditar nesta região. O ideal teria sido prevenir, de preferência com medidas estruturais de fundo os partidos políticos a nível regional, seja com atores políticos da nova geração (apoiados pela sabedoria dos velhos do restelo), utilizando de forma estratégica a comunicação digital partidária, não só para mobilizar os militantes, como os jovens entusiastas sem filiação partidária, que procuram símbolos em defesa de causas.

Este “MOFO” na região do Algarve, não é caso isolado, acontece em qualquer panorama da vida política nacional, desde que se reúnam condições ao desenvolvimento do mesmo. É preciso lideranças carismáticas e diversos atores a nível da sociedade civil e política no Algarve (a convergir num conselho estratégico regional, não só para o diagnóstico, mas para a sua operacionalização, num enquadramento estratégico da região a 10 anos), as duas maiores forças políticas têm que deixar os egos de lado e convergir para a mudança da região.

Podemos e devemos ter a capacidade de afirmar com orgulho que somos ALGARVIOS, e que existe uma nova visão e geração com enorme capacidade intelectual e profissional, para ajudar na mudança de afirmação do paradigma regional ( existem jovens políticos de grande valor em ascensão: Faro, Portimão, Loulé e São Brás de Alportel, sejam eles/as mais centro esquerda ou centro direita, só necessitam que tenham espaço para fazerem o seu caminho sem a deturpação das trituradoras partidárias, porque a mudança faz-se dentro dos partidos e não de fora, não basta trocar os agentes políticos, a mudança é estrutural pela defesa da nossa região.

Existe esperança, ambição e vontade de mudança, mas a nossa representatividade política regional, necessita compreender as falhas graves existentes e que são percecionadas pelos Algarvios, não podemos ter um “deus sol” no Algarve, é necessária intervenção ativa/positiva, humanista e reformadora de todos os Algarvios.

Segundo os censos de 2021, a região do algarve possui 467.495 residentes, urge o “grito de ipiranga”, sobre questões de fundo como: Hospital Central do Algarve (assunto com 20 anos de MOFO e teias de aranha – quantos lançamentos simbólicos da primeira pedra são necessários?!), rede de transportes pública eficiente/eficaz, e que sirva a população (sem viatura própria no Algarve, é o mesmo que atravessar o deserto do Saara), Habitação Jovem, serviços de apoio aos idosos, podíamos estar a enumerar mais situações entre o contraste barrocal – Litoral, mas se existisse compromisso e ambição politica os quatro temas acima seriam estratégicos para o Algarve. Em suma, a nossa representatividade política tem que melhorar e abrir portas a novas visões (o discurso político tem falta de imaginação, necessitamos de conseguir falar para os Algarvios com emoção e unir uma região retalhada), mas a qualidade da nossa classe política regional, está interligada com o dinamismo económico regional/nacional.

Vivemos na época do “Robin dos Bosques” no Algarve, onde um “status quo” político regional é redistributivo, não é a solução a médio-longo prazo para melhorar as condições de vida na região. Esta estratégia socialista de gestão com base keynesiana, onde a propensão marginal ao consumo diminui com o nível de rendimento, assim, distribuir do maior para o menor rendimento aumenta a procura, e, portanto, o crescimento económico. Esta teoria será sem dúvida na minha opinião um modelo errado para reposicionar a nossa região e compromete a futura geração. Neste enquadramento observamos lideranças sem ambição, modernidade e humildade, e sem conteúdo será dificílimo atrair os jovens e proteger os idosos, teremos perdido a oportunidade de ouro de convergir a nossa região à beira-mar plantada.

Não podemos também afirmar que somos um dos motores económicos de Portugal, quando segundo os dados do INE de 2019, demonstram que AML/Centro e Norte, representam 84,5% do PIB nacional e o Algarve 4.8% (Alentejo contribui 6.3% do PIB nacional), se queremos nos afirmar no panorama nacional necessitamos rever as nossas políticas e visão estratégica para duplicar o contributo no PIB numa década, mas não alcançaremos esta meta com o atual “status quo”.

Assim vivemos num Algarve, onde a rosa está murcha e sem cheiro, e a laranja necessita ser regada para florescer e ser doce. Necessitamos do ADN reformista do PPD/PSD de Francisco Sá Carneiro, para despertar as consciências nos tempos modernos e acreditar que o Algarve, é mais que uma colónia de férias, mas um dínamo económico e social de Portugal.

Por um Algarve com ambição a diversas vozes.

Nota: Hoje é o início da transformação do Algarve a seis mãos para oito mãos.