Opinião

Algarve a Seis Mãos: “Desemprego terminou, a época balnear chegou”

Rui Virgínia


Acreditou? O Algarve, hoje, necessita de trabalhadores para todos os setores atividade económica e um número elevado de potenciais trabalhadores/desempregados estão a receber o fundo de desemprego que os desincentiva a procurar um emprego. Pelo menos, um que tenham que declarar.

Como empresário posso testemunhar:

Empresa procura trabalhador de limpeza, com remuneração superior ao salário mínimo e oferece seguro de saúde entre outras condições. Entrevista corre muitíssimo bem, no dia seguinte a pessoa candidata telefona a recusar a oferta porque pensou melhor: “estou a receber o fundo de desemprego e faço limpezas e assim ganho mais”.

Aluno de curso profissional tem obrigatoriamente de realizar estágio durante o verão para concluir com aproveitamento e receber diploma, recebe oferta de estágio remunerada e recusa: “não aceito o estágio porque vou ficar cansado e posso me fartar, são muitas horas a fazer o mesmo e eu gosto de acordar tarde e ainda tenho que fazer as minhas coisas” (isto é mais uma tradução do péssimo português utilizado no e-mail). Empresa procura trabalhador para o escritório. Entra um candidato/a jovem acompanhado pelos pais na sala para a entrevista, o entrevistador incrédulo pergunta o porquê da presença dos progenitores, respondem-lhe que fazem questão de estar presentes, o entrevistador dá por terminada de imediato a entrevista.

Entra um automóvel no parque de estacionamento da empresa, conduzido pelo pai de um jovem desempregado. Com um papel na mão, procura levar o tal carimbo para continuar a receber o fundo de desemprego. O empresário recusa-se a carimbar e ainda reclamam que é só um carimbo.

Procura-se tratorista, aparece candidato e diz o seguinte: “só quero trabalhar uns meses e depois regresso para o fundo de desemprego para continuar a fazer os meus biscates, sistemas de rega, jardins etc....”

Não é só o problema real do elevado custo dos arrendamentos urbanos ou da inexistência de uma rede de transportes públicos na região do Algarve, entre outros problemas, para a falta de trabalhadores: há também um enorme problema sociológico, do qual se evita falar porque politicamente não é correto. O facto é que o Estado português falha na educação da sua população. Neste país a “escola” não promove a cultura do trabalho, nem da responsabilidade social que cada um tem para contribuir para o desenvolvimento e prosperidade do país. Resta ainda a esperança que dentro de muitas casas esses valores continuem a ser transmitidos.

PUB