Opinião

Algarve a Oito Mãos – Cantigas de escárnio e maldizer

André Oliveira


O famoso escritor Luciano Bianciardi já dizia que a política há muito tempo tinha deixado de ser uma ciência de boa governação e, em vez disso, tornou-se a arte de conquista e conservação do poder (em Portugal, não podia estar mais de acordo). O Orçamento do Estado aprovado pela maioria socialista não irá somente incrementar o fosso entre classes (processo de “venezuelização” em curso) mas, acima de tudo, realçar que este regime está decadente e ignora as necessidades nacionais e regionais, sendo assim expectável um resultado pouco eficaz no combate ao empobrecimento dos portugueses e na competitividade económica – caso para dizer, “Ó Evaristo, tens cá disto?!”. Deveríamos estar a criar um projecto económico estratégico para Portugal para a próxima década, mas este modelo socialista de governação do maior mágico político de Portugal tem prevalecido, o povo é quem mais ordena e esperemos que o bilhete para este show não seja defraudado após 20 anos de governação do PS nos últimos 27 anos.

Necessitamos urgentemente de uma alternativa política sólida. É necessário repensar e reconstruir as bases do PSD na população portuguesa, é crucial ACREDITAR que a nação, com uma política de centro-direita focada na melhoria do cenário socioeconómico e em mitigar as desigualdades sociais, será a única opção de termos uma economia mais competitiva e produtiva, e não sermos ultrapassados por previsões económicas para 2024 da Comissão Europeia pelo nosso demérito em fomentar crescimento orgânico a médio-longo prazo e de valor acrescentado. Existe a necessidade de possuir humildade política, empatia, humanismo e lealdade aos princípios-base da social-democracia defendida por Sá Carneiro. Vivemos numa sociedade em que há demasiado Estado e as famílias e empresas necessitam de respirar para dar fulgor á nossa economia e índices de felicidade. É importante esclarecer os portugueses das linhas diferenciadoras entre o PS e PSD e defender a herança ideológica inserida no código genético do PSD, como a igualdade de oportunidades e liberdade de imprensa (analisem os últimos acontecimentos do cenário político português).

Não podemos dissociar a actual realidade da nossa nação do heroísmo histórico de conquista além-mar. A nossa herança genética de enfrentar o risco e o desconhecido terá de prevalecer. Necessitamos de alterar a nossa cultura para uma abordagem cada vez mais empreendedora. Este será o nosso Adamastor a ultrapassar em busca da rota marítima do sucesso contemporâneo de Portugal (queremos mais/maiores empresas portuguesas a competir no panorama global com propostas de valor acrescentado). Esta abordagem quase “holística” e fomentada em todas as escolas de negócios tem de ser mais ambiciosa, e implementada a nível geracional e nas bases educativas, para sermos mais competitivos e inovadores para os próximos 25 anos. Necessitamos cada vez mais de quadros técnicos especialistas (rever o modelo alemão) e o desenvolvimento científico das universidades tem de ser integrado com o ecossistema empresarial. Caso contrário, Portugal será apenas uma pequena fábrica de “unicórnios” empresariais de peluche cor-de-rosa. Temos de repensar todo o ecossistema e assumir os riscos políticos necessários, tendo como benchmark alguns países com base inovadora ou flexível a nível fiscal: Irlanda, Estónia, Coreia do Sul ou até Israel.

Neste nosso caminho de alternativa política e socioeconómica, não podemos dissociar o enquadramento nacional do quadro europeu. Temos observado, nos últimos dias, que projecções da Comissão Europeia indicam que, no indicador PIB per capita, a Roménia irá ultrapassar Portugal. Apesar de nenhum de nós apreciar uma queda do PIB per capita versus outras nações, convém relembrar que dez anos antes estava muito longe dos nossos índices económicos. O ilusionismo socialista fez desaparecer também a nossa competitividade, mas valha-nos um cheque de 125 euros para usufruir. Como diria um ilustre filósofo, “porreiro, pá!”. De realçar que o cenário macroeconómico europeu é preocupante. Estamos inseridos numa União Europeia mais continental (infelizmente, a saída do Reino Unido não beneficia estrategicamente o equilíbrio político, económico e militar), inflação elevada, cenário de guerra nas nossas fronteiras cuja solução só pode ser vislumbrada na Primavera/Verão de 2023, carência energética e agrícola, recessão. Uma tempestade perfeita avizinha-se. Os desafios vão ser hercúleos para a realidade portuguesa. Este deveria ser o momento de sermos audazes nas reformas de saúde pública, fiscais, judiciais, económicas, educativas, e de nos adaptarmos para uma economia mais digital e sustentável.

É, assim, necessário provocar emoções positivas nos portugueses e sermos criativos na comunicação política de alternativa ao modelo socialista actual. Não podemos esquecer que as relações humanas e empáticas são um dos elementos diferenciadores, assim como a capacidade de criar soluções e ter especial atenção aos detalhes que será o dínamo de uma alternativa dinâmica em Portugal. Eu ainda quero ACREDITAR que podemos reescrever uma história de sucesso para o nosso futuro e dos nossos filhos.

NOTA: Este artigo apenas expressa a opinião do seu autor, não representando a posição das entidades com as quais colabora.