Opinião

Act, don’t react

Teresa Rebelo Pinto


Os assuntos abordados em psicoterapia são do mais íntimo e variado que pode haver. Seja qual for o método utilizado, o objetivo do psicólogo deverá ser facilitar o encontro da pessoa consigo própria. Se estivermos disponíveis, isso pode acontecer da forma mais inesperada possível.

“Doutora Teresa, nem de propósito... olhe o que diz aqui no meu chá: Act, don’t react.”

Coisas que só acontecem nas consultas on-line, que nos permitem mergulhar mais fundo no ambiente familiar de cada um. Um chá, tantas vezes sinónimo de calma e tranquilidade, foi o catalisador desta consulta.

Falávamos de ansiedade, medos e inseguranças. Sobre como tomamos decisões, desde escolher o prato numa ementa até arranjar uma casa à medida dos nossos sonhos. Da tentação de adiar algumas dessas decisões até ficarmos totalmente encurralados e da exímia capacidade de fuga que somos capazes de desenvolver. Fuga do que nos rodeia, do passado, presente ou futuro, fuga de nós próprios.

É tão frequente ficarmos em regime de mera funcionalidade, cada vez mais distantes dos nossos sonhos e desejos. Em situações mais graves, já quase nem nos lembramos do que queremos realmente. Ou talvez nunca tenhamos tido a oportunidade de aprender a ouvir-nos com atenção e a fazer escolhas verdadeiras. Não daquelas em que deixamos o tempo passar até a vida acontecer por nós, mas sim as que implicam arriscar com um certo nervoso miudinho. Aquelas que não sabemos bem como vão correr, mas nas quais confiamos, haja o que houver. Aquelas que nos fazem correr para os braços da nossa rede de suporte, caso surja algo inesperado. As que não trazem arrependimento, porque assumimos a responsabilidade de gerir a liberdade de decisão. Essas sim, as verdadeiras escolhas.

Como pode ser tão difícil assumir decisões e baixar a reatividade ao exterior?

A verdade é que ficamos mais frágeis e reativos quando estamos distantes de quem somos e do que sentimos. Em vez de arriscarmos funcionar de dentro para fora, andamos de dedo no gatilho, prontos a responder a qualquer momento ao próximo estímulo. De certa forma, pode ser mais fácil e menos exigente viver assim. Tenho dúvidas que seja verdadeiramente recompensador.

Em teoria, ninguém gosta de se rever nesta atitude reativa. No entanto, de nada serve querermos ser assertivos sem assumir primeiro o que queremos. As boas decisões são as que vão ao encontro do mais íntimo do nosso ser. Se conseguirmos ser honestos sobre isso, talvez seja mais fácil agir em vez de reagir.

Uma pessoa que só sabe funcionar por reação é como um barco sem rumo que apenas reage aos ventos e marés. Não seria melhor agarrar o leme e definir a rota? E de preferência, sem deixar que os outros, as circunstâncias ou a vida se encarreguem de escolher por nós. Com as más decisões aprendemos, com a não-decisão sofremos. Por isso aproveite a sua viagem e lembre-se: se for preciso, ajustam-se as coordenadas.