Opinião

Acreditar no PSD

Margarida Balseiro Lopes


O resultado das últimas eleições legislativas deixou clara aquela que é a função que os portugueses atribuíram ao Partido Social Democrata (PSD): liderar a oposição. Em democracia, é da maior importância o exercício competente e vigilante da oposição a um governo, desde logo, para que um partido com vocação maioritária como o PSD possa, dessa forma, afirmar-se como uma alternativa aos eleitores. Se olharmos hoje para o sistema político português, há uma conclusão a que não conseguimos fugir: a indefinição em que o PSD mergulhou na sequência dos maus resultados alcançados no dia 30 de Janeiro deixou o sistema desequilibrado e o Governo em rédea solta.

É neste cenário que as eleições do PSD, mais do que internas, se assumem como centrais para o país e para a saúde da nossa democracia. O facto de haver mais do que uma candidatura é manifestamente positivo para a legitimação e clarificação que estas eleições impõem. E é entre dois perfis e dois projectos, que se respeitam mas que são objectivamente diferentes, que deve recair a escolha dos militantes. Há vários motivos que importam nesta escolha, mas deixarei apenas três.

Em primeiro lugar, acredito que só com um líder carismático e mobilizador será possível conduzir a difícil missão de presidir o PSD num período que, previsivelmente, será de quatro anos, até às próximas eleições legislativas. Porque, mais do que presidir, importa que lidere um partido que tem estado afastado daqueles que são os principais problemas do país. Só com o envolvimento de militantes, autarcas e simpatizantes será possível construir uma alternativa sólida e credível aos olhos das pessoas.

Em segundo lugar, é essencial um líder que tenha uma visão global e transversal daquela que é a realidade do país. Só assim será possível voltarmos a ganhar a confiança das pessoas. Saber ouvir, ter a humildade e a vontade de percorrer o país e falar com toda a gente, é essa a missão que caberá ao próximo líder do PSD, para a reafirmação deste como o partido mais português de Portugal.

Em terceiro lugar, os tempos que vivemos exigem um líder do PSD que seja assumidamente corajoso. A denunciar os erros da governação, a ser a voz de todos aqueles que tantas dificuldades passam e não têm encontrado no sistema político quem os represente, mas também a fazer as mudanças no PSD necessárias para que seja um partido mais aberto, mais transparente e mais eficaz na sua acção.

O Luís Montenegro cumpre cada um destes critérios. Eu acredito que será um extraordinário líder do PSD, capaz de colocar os portugueses a acreditarem de novo no PSD.

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