Opinião

Acordar o PPD

Diogo Agostinho


E já passou a campanha eleitoral do PPD/PSD. Bem sei que não foi muito notada. Aliás, sublime a frase do Manuel Carvalho, numa edição do Público da semana passada: “Não parece, mas o PSD está quase a ter eleições.” Pois é. E chegaram.

Sem debates, com um tempo interminável de espera, este foi um período perdido. Primeiro, Rui Rio. Saída anunciada a 30 de Janeiro, mas andou por aí. Literalmente. Falou, comentou, reuniu-se, andou com ideias de revisões constitucionais, completamente fora da lógica da vida real das pessoas. Um final exemplar do que foram os seus quatro anos de liderança. Perdidos. Valeu, apesar de tudo, Paulo Mota Pinto, que nas últimas semanas conseguiu emendar a ideia de um partido à deriva. E colocou, pela primeira vez, em cheque o Governo socialista. De pensões a funcionários públicos. O ónus mudou. Claro que ainda ninguém notou, mas pode ser um bom tónico para o futuro.

E é sobre o futuro que os olhos devem estar. Quatro anos perdidos são uma eternidade. A ideia de fazer oposição de terça a quinta, achando que o país era uma rua lá no Norte e que todos deveriam perceber a qualidade, mesmo não demonstrada, da liderança do PSD, foi fatal. O PSD sempre conviveu com muitas correntes mas, sobretudo, com duas dimensões a que, de forma simples, chamo PPD e PSD. E o PPD, nestes quatro anos, desapareceu. Não existiu ligação ao povo, contacto, dinâmica, carisma. A propósito deste ponto, vale a pena ler Rui Gomes da Silva, no Observador, sobre a ausência de carisma no PSD.

O PSD, como diz um dos seus hinos, sempre mostrou a direcção e sempre trouxe a solução. Sempre esteve lá. Sá Carneiro começou um caminho de abertura da nossa sociedade, Cavaco Silva abriu a economia e modernizou o país, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes tomaram conta após o pântano de Guterres, Pedro Passos Coelho salvou o país da bancarrota de Sócrates. Isto é património. Isto é história, mas foi-o sobretudo nestes quatro anos de Rio.

E agora? Agora, o partido precisa de liderança, de carisma, de voltar às bases. De olhar o país com soluções claras. Precisa de voltar a criar uma dinâmica com a sociedade. É que estamos numa liderança socialista imobilista. Um génio da táctica governa o país. Brilhante em não fazer. Talvez não estrague, mas também não faz. E isto, para a minha geração, é perder tempo. Vamos ter dez anos perdidos de poder socialista. E esse combate tem de ser feito. Hoje, a ideia de uma agenda de esquerda tida como verde mas esquizofrénica e assente em atacar a base do que é a nossa sociedade é preocupante e, verdade seja dita, só tem em Sérgio Sousa Pinto o único crítico. É também esse o papel do PPD/PSD. Lutar pela liberdade. Voltar a ser a força do povo e do futuro. Com agenda.

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