Opinião

A sensibilidade de Rui Costa

Bruno Pires


Como diz José Manuel Freitas na entrevista concedida nesta edição do NOVO, Rui Costa é um presidente-adepto. Isso é mau? Pois bem, julgo que no deve e haver existem mais vantagens do que desvantagens. O agora presidente do Benfica nunca escondeu o seu amor ao clube. Mesmo quando esteve confinado mais de uma década a um gabinete do Estádio da Luz era presença assídua nos pavilhões. Em Janeiro, e após uma longa sequência de derrotas ante os rivais nas modalidades amadoras, Rui Costa foi cauteloso. Disse que queria mudar mentalidades e atacar títulos em 2022/23. Essas palavras funcionaram sem que muita gente desse conta. Nos últimos cinco meses, o Benfica venceu uma prova europeia de andebol, fez o tricampeonato no voleibol — sem dúvida, a modalidade mais ganhadora do universo encarnado —, sagrou-se campeão de basquetebol pela primeira vez em cinco anos e está nas finais dos campeonatos de futsal e de hóquei em patins. E ainda mantém uma aposta contínua nas equipas femininas. Como se isso não bastasse, o orçamento previsto para 2022/23 reflecte um aumento para as ditas modalidades de alta competição. Ao fazer isto, Rui Costa revela sensibilidade e acompanha as ambições dos adeptos, que continuam a ver o futebol como a mola real do clube, mas querem, e desejam, que o Benfica ganhe em tudo o resto. Foi este tudo o resto que Luís Filipe Vieira nunca entendeu. Manteve a competitividade, mas mostrou-se pouco apaixonado por tudo o que não era futebol. Sim, Rui Costa adora as modalidades, como Bruno de Carvalho adorava. E vai ser por aqui que pode cativar se Roger Schmidt não for sinónimo de sucesso. Como Marco Silva e Jorge Jesus não foram no Sporting.

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