Opinião

A segurança nacional e o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Vitório Rosário Cardoso


Sem segurança não há economia. Esta é uma velha máxima partilhada por mim e por todos os que estão comprometidos com a segurança e defesa de Portugal, tanto em solo pátrio como no estrangeiro, para a defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses no mundo.

Há poucas semanas li no NOVO uma notícia que esta semana veio desenvolvida em Macau, no China-Lusophone Brief, e que me chocou, chamando a atenção, não fosse eu conselheiro nacional do PSD eleito pelo círculo de Fora da Europa e por presidir à única secção do PSD em Macau e em Hong Kong, na China e, por conseguinte, na Ásia. Perguntei-me como terá sido possível a um alegado burlão de nacionalidade chinesa ter conseguido, através de documentos forjados, aceder para ele e toda a sua família à autorização de residência para investidores (ARI) ou “visto dourado”. Esta notícia, veiculada no canal de televisão CNN Portugal, é nada mais nada menos do que uma situação análoga de burla que ocorreu há uns anos em Portugal, onde Artur Baptista da Silva, então solenidade e autoridade do fictício Observatório Económico e Social das Nações Unidas para a Europa do Sul, além de militante do PS que integrou a sua comissão política, era convidado para participar em programas de televisão e conferências do PS.

O cidadão chinês em causa, Feng Shen, poderia bem ser a alma gémea de Artur Baptista da Silva — e com isto quero sublinhar que burlões existem em todo o lado, seja em Portugal ou na China. Não está em causa sequer a nacionalidade, mas sim todo o cumprimento dos procedimentos de verificação, screening e vetting que as mais diversas autoridades nacionais portuguesas deveriam ter feito, mas, por algum motivo, neste caso específico, alguma coisa falhou.

Feng Shen conseguiu os vistos dourados para os seus, embora, segundo os média, fosse procurado pelas autoridades policiais chinesas devido a múltiplos processos criminais — e se este tipo de requerente de visto com antecedentes criminais graves consegue, com sucesso, aceder ao programa ARI, isso será com certeza um perigo oculto para toda a sociedade portuguesa e, por conseguinte, para a segurança nacional de Portugal e a sua imagem externa.

Portugal é um país que o mundo todo abarca e nada aperta, é um país que acolhe bem, mas também é o porto de partida de onde demos novos mundos ao mundo e nos fazemos diariamente ao mundo, e o programa ARI tem aliado a esta tradição a oportunidade, trazendo de facto, na última década, benefícios económicos e desenvolvimento para o nosso país. Porém, este programa não pode ser um refúgio ou ser concedido a criminosos.

Se Feng Shen é conhecido na China por estar associado a vários nomes falsos, também é sabido da existência de antecedentes criminais julgados e transitados. Muitos dos investidores chineses de bem que escolheram Portugal como destino terão sido lesados pelo burlão, seja em nome de Portugal ou da ONU, pois Feng Shen não se coibiu também de tirar fotografias com diplomatas portugueses na China para se insinuar, mas o facto é que os lesados guardarão para sempre uma amarga memória do nosso país.

Agora, para virarmos a página, e concordando com o que foi publicado pela agência noticiosa CLBrief.com — “Portugal e a China, que mantêm excelentes relações diplomáticas de mais de cinco séculos, torna-se urgente o reforço da cooperação entre as autoridades policiais e de investigação portuguesas e chinesas” —, reitero que é preciso reforçar a cooperação para que os criminosos sejam detidos e exemplarmente julgados e punidos pela lei. Se até os britânicos têm vários representantes das agências de segurança e investigação criminal nos seus postos diplomáticos na China, Portugal o que tem?

Perguntas por responder pelo governo socialista: o que e quem, na realidade, falhou? O alegado burlão e família circulam ainda livremente com os documentos emitidos pelo Estado português? Sobre este assunto, que aconteceu em pleno governo de António Costa, digamos do PS e apoiado pelo Bloco de Esquerda e PCP, o que têm os seus responsáveis políticos a dizer? Os boys do PS nomeados para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) terão tido responsabilidades? Querendo retirar ao SEF as valências de investigação criminal, acontecem destas coisas. Como diria o sr. Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estas trapalhadas do Governo são também para apurar com conclusões ou manter-se-ão inconclusivas para sempre?

DOS PORTUGUESES HERÓIS NO ORIENTE MAS IGNORADOS PELA PÁTRIA

Nem tudo são tristezas: no Oriente, valorosos portugueses celebram a preceito o Dia da Pátria, de Camões e das Comunidades Portuguesas. São portugueses que dão cartas todos os dias, estejam na China continental, em Macau, em Hong Kong ou noutras paragens asiáticas. Somos sempre muito bem-vistos e os locais têm-nos particular estima. Tony Cruz, ou Anthony Stephen da Cruz, recordista mundial do Guinness nas corridas de cavalos em sprint enquanto treinador jockey, foi várias vezes campeão jockey em Hong Kong e em provas internacionais, tendo sido ainda cavaleiro jockey da Rainha de Inglaterra e do príncipe Aga Khan, e este mês quebrou o seu próprio recorde ao vencer 1200 corridas enquanto treinador num total de 2146 vitórias, numa carreira de 47 anos.

Por este motivo e outros, Tony Cruz, hoje com 62 anos, orgulhoso português, representante do espírito de conquistador de glórias para o engrandecimento pátrio, aguarda há um ano e um mês — pronto e contente, como diria Camões — que o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, se digne a receber o seu presente simbólico para Portugal, que consiste num quadro comemorativo do seu recorde mundial do Guinness, a glória que um português do Oriente conquistou para Portugal, para ficar exposto no Palácio de Belém.

“Por vos servir, a tudo aparelhados;

De vós tão longe, sempre obedientes;

A quaisquer vossos ásperos mandados,

Sem dar reposta, prontos e contentes.

Só com saber que são de vós olhados,

Demónios infernais, negros e ardentes,

Cometerão convosco, e não duvido

Que vencedor vos façam, não vencido.”

in Os Lusíadas, Canto X, Est. 148

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