Opinião

A marca

Carlos Reis dos Santos


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António Costa iniciou-se como governante há quase 27 anos. Acompanhou o pântano de Guterres. Acompanhou depois a débâcle moral de José Sócrates. Tomado o poder em 2015, por um arranjo parlamentar feito sem a aprovação prévia dos eleitores, relegitimado em 2019 e consagrado em 2022, terá um total de 11 anos possíveis para deixar uma marca no país.

Mas sem fazer uma única reforma estrutural nestes anos, a única marca que se projecta parece ser apenas a da degenerescência do país. A confusão entre o PS e o Estado, em todas as áreas da sociedade. O PS que nomeou um procurador europeu com falsidades no currículo, em detrimento da procuradora escolhida pelas instituições europeias, que afastou a procuradora-geral da República e o presidente do Tribunal de Contas com base em critérios sonsos, mas sectariamente motivados, que respondeu ao caso da tortura e assassínio de um cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa por funcionários do SEF com a nomeação para a direcção-geral do SEF de um boy do gabinete de Eduardo Cabrita e com a trapalhada posterior da extinção encrencada do próprio SEF. O negócio das golas antifumo inflamáveis, que nos chega sempre à lembrança quando o país começa a arder. O mesmo PS que manda no Banco de Portugal, tendo metido lá o seu ministro das Finanças, que ali fiscaliza os seus próprios actos enquanto anterior ministro. E que nomeia como ministro das Finanças o político que os lisboetas despediram em eleições livres.

O PS é hoje mais do que um partido político. É uma rede. E a sua marca é o nosso declínio.

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