Opinião

A juventude passa com a idade. Já a falta de decência...

Rui Nuno Castro


Volto ao tema do último Conselho Nacional do CDS-PP, que abandonei no momento da votação da proposta de cerca de 80 coligações, em protesto com a forma desajustada e nada isenta como os trabalhos foram conduzidos pela mesa. Tive entretanto acesso à intervenção final do presidente do partido e pude confirmar o que já me tinha sido comunicado sobre o ataque pessoal que nela me dirigia. Foi um ataque pessoal básico e acima de tudo desprevenido, com recurso à difamação, afirmando que o terei apelidado de “rapazinho” nas redes sociais, e que só se pode explicar com o desespero pela fragilidade da sua liderança. Abro uma exceção à minha conduta de tratar os assuntos do partido no local próprio pela gravidade de que se reveste a atitude do presidente do partido em que milito e pelo qual já tanto trabalhei e continuo a trabalhar.

Não posso dizer que estou surpreendido porque sempre tive consciência de que dificilmente Francisco Rodrigues dos Santos poderia reunir condições para ser melhor do que aquilo que eu já conhecia. Por esse mesmo motivo nunca teria sido possível apoiá-lo na sua candidatura a presidente do CDS-PP. Como não apoiei.

Foi eleito e a partir desse momento passou a ser o presidente do partido onde milito. Sempre o respeitei nessa qualidade e alguma afirmação em contrário carece de prova cabal e inequívoca.

O que nunca esperei, foi ver um presidente do CDS-PP (mesmo sendo Francisco Rodrigues dos Santos) perder o auto-controlo ao ponto de se colocar na posição de atacar um militante de base com recurso ao diz-que-disse. Dando mesmo a entender que passa por um processo invulgar de auto-convencimento, em que acha que tudo o que acontece à sua volta é dirigido a si. Respire, Senhor Presidente! Há muito mais vida para além do CDS-PP e ainda mais para além de si.

É imenso aquilo que orgulhosamente me separa de Francisco Rodrigues dos Santos e, neste caso, tenho provas de tudo o que afirmei no Conselho Nacional. Já o presidente do CDS-PP só conseguiu fazer um mal engendrado processo de intenções, protegido pela não possibilidade de contraditório.

Há ataques que nos fazem, que são medalhas. E este vil ataque de Francisco Rodrigues dos Santos é uma medalha da decência que o mesmo não conseguiu ter. A falta de princípios e a falta de defesa de valores é hoje o padrão do partido.

Também no passado Conselho Nacional, a Comissão Executiva do CDS preferiu insistir manter a votação conjunta da sua proposta de quase 80 coligações no país todo, recusando a minha sugestão (reforçada por mais conselheiros) de votar separadamente a proposta de coligação em Coimbra, em face das mais que muitas dúvidas que o processo suscitou a uma parte substancial dos Conselheiros Nacionais que se pronunciaram sobre esse ponto da ordem de trabalhos. Só assim poderíamos, todos, garantir que não recairiam dúvidas sobre este processo, mas o medo de uma votação isolada da proposta irresponsável de coligação em Coimbra prevaleceu e a direção nacional do CDS impediu que os Conselheiros Nacionais votassem em consciência aquilo que muitos denunciaram como um caso gritante de atropelo aos estatutos e regulamentos do partido sem precedentes.

Aqueles escolhidos pela direcção do CDS são os que ultrapassam as regras e as estruturas democraticamente eleitas ou então os que votam contra um acordo autárquico à 3ª feira e o assinam à 5ª. São estes os que a atual direcção do CDS escolhe e promove, ignorando os estatutos do CDS, regulamentos e até a lei da eleitoral. Ignorando e fazendo vista grossa a um acordo de coligação completamente ilegal aos olhos da lei eleitoral em que partidos políticos e um movimento independente de cidadãos o assinam.

Vale tudo. É assim que está o CDS. Proteger e promover os que, não tendo sido escolhidos pelas bases, apenas tratam de garantir os seus objetivos pessoais. Veremos nas listas autárquicas os echacorvos a assegurar os seus negócios particulares e dos seus mais próximos ou o pão para a boca. Veremos outros a exibir o penacho de que vivem e de que se alimentam. É só esperar pela composição das listas e veremos se o tempo me dá ou não razão.

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