Opinião

A importância das comunidades portuguesas (III)

Miguel Iglésias


Concluo um trio de artigos relativamente às comunidades portuguesas relevando um programa porventura ainda pouco conhecido, mas que tem dado muitos frutos e contribuído para uma maior valorização da nossa diáspora e do seu papel no desenvolvimento e investimento no território nacional.

O Programa de Apoio ao Investimento da Diáspora é um programa que promove o investimento da diáspora, em especial no interior do país, bem como as exportações e a internacionalização das empresas nacionais através da diáspora, sendo coordenado pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional.

Nas várias visitas que, pessoalmente, já tive oportunidade de fazer a várias comunidades, seja na Venezuela, África do Sul, Canadá, Reino Unido, França ou Alemanha, sente-se uma enorme vontade e motivação dos empresários portugueses que singraram nesses países de contribuírem também para Portugal, de contribuírem com investimento e know-how no desenvolvimento das suas terras de origem, com orgulho em que possam, também aí, ajudar as pessoas e criar emprego e sustentabilidade económica.

Temos portugueses que são líderes em grandes mercados, que criaram negócios que concorrem taco a taco com grandes multinacionais, desde o sector primário ao digital, desde a distribuição à grande indústria, e dos quais temos a felicidade de sentirem que podem retribuir, com a sua experiência e sucesso, nas suas origens, em Portugal.

Neste momento, já foram atribuídos mais de 240 estatutos de investidor da diáspora, com o apoio a mais de 118 projectos, que correspondem a um potencial superior a 111 milhões de euros de investimento em Portugal, sobretudo no interior do país - uma percentagem já relevante do total de investimento directo em Portugal.

Com vários mecanismos de apoio, foi criada a Rede de Apoio ao Investidor da Diáspora envolvendo mais de 300 entidades, havendo hoje 202 gabinetes de Apoio aos Emigrantes, quando, em 2015, tínhamos 101, num esforço partilhado entre autarquias, associações, comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas.

Julgo ser importante também ajudar no esforço de divulgação dos Encontros PNAID 2022, que irão decorrer em formato presencial, de 15 a 17 de Dezembro, em Fátima, um programa que incluirá sessões plenárias centradas no quadro Portugal 2030, de apresentação de ideias, projectos e soluções de investimento, em que serão também promovidas sessões de debate com enfoque nos temas: agricultura e agro-alimentar; indústria 4.0 e produção avançada; turismo e sustentabilidade; mar e economia azul; digital e saúde; e ideias e negócios nos territórios do interior. No fundo, será um encontro para conhecer as prioridades políticas, as oportunidades de investimento, as empresas nacionais interessadas em exportar e outros investidores da diáspora.

As nossas comunidades, pela sua dimensão cultural, económica e social, são um activo único de Portugal no mundo que temos de continuar a acarinhar e a priorizar no âmbito das políticas governativas.