Opinião

A esquerda não gosta

Diogo Agostinho


A esquerda não gosta, mas tem de ouvir. E tem de ouvir com a razão, sem dar azo a estados de alma que toldam o raciocínio. Onde a esquerda toca, nada cresce. Sim, uma das razões estruturais do nosso atraso, os dados comparativos da União Europeia assim o demonstram, é a governação de esquerda que tivemos e temos. Desde 2000, neste século, são 15 anos de governação.

Esta ideia de que basta uma subida no salário mínimo, não acompanhada de estímulos para a economia, tem sido uma receita errada. Até agora, quando os portugueses vão à bomba de gasolina, sabem que pagam muito, sobretudo em impostos. A grande solução deste Governo de esquerda? Em vez de reduzir o peso dos impostos - pagamos perto de 59% só em impostos sobre os combustíveis rodoviários - prefere “limitar” as margens das gasolineiras. Ora, isto não é economia, muito menos se pode dizer que exista um “mercado”, pois este caminho é o da fixação de preços pelo Estado. Isto é a venezuelização do regime.

E, sim, onde a esquerda toca, o futuro fica igualitário, mas em pobre. Impostos e mais impostos. A receita da esquerda. Lamentavel-mente, é uma receita que não tem correspondência directa na qualidade nos serviços públicos prestados. Vamos a um centro de saúde e desesperamos. Médicos de família, promessa deste primeiro-ministro? Somos um milhão sem eles. O que conta, para acalmar e seduzir a ala mais à esquerda no Parlamento, é acabar com as PPP da saúde. Isso sim. Por alguma razão económica? Por ter má qualidade o serviço? Não. Apenas porque existem grupos económicos privados que vão lucrar por prestar um serviço de qualidade, com menor custo, em substituição do Estado. É difícil percepcionar tamanha lata. O ódio ao lucro tem sido um padrão da esquerda e um forte entrave ao nosso crescimento e desenvolvimento.

Mas o que importa isso de ter maus serviços públicos? O que importa isso de ter a educação sem rei nem roque, com os programas educativos em constante convulsão, mais uma vez por questões ideológicas? Hoje pagamos em impostos para educação. E o direito de escolha? E a possibilidade de reduzir essa contribuição para escolhermos onde queremos os nossos filhos? Não há. Sim, temos de ser solidários. Mas o tempo que os portugueses trabalham para pagar impostos, ou seja, para o Estado, não tem a devida contrapartida em serviços públicos recebidos.

O nosso problema é de má administração e de ideologia cega. Faltam boas práticas de gestão no Estado. Gestão a sério. E sobra ideologia que ataca quem quer produzir. A mudança de que precisamos não torna necessárias as 119 páginas do plano estratégico do professor António Costa e Silva. Quem quer mudar o país não precisa de milhares de medidas. A mudança de que precisamos é de mentalidade, no Estado e de quem o administra em nosso nome. E, isso, a esquerda não quer ouvir.

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