Opinião

A ditadura da inclusão

Rute Sousa


Soubemos recentemente que o novo Super-Homem vai ser bissexual e activista, empenhado em questões sociais e ambientais como as alterações climáticas. Isto seria lindo se não estivéssemos a entrar num período de ditadura do politicamente correcto e da inclusão social. Mas atenção: há que promover o circo das minorias, para que se destaquem perante a maioria e assim ganhem o devido respeito.

Faz sentido? Para mim, não.

Pergunto-me se as cuecas do Super-Homem vão ser feitas em cupro, porque todos sabemos o quão péssimo é o algodão. Temos de lutar contra a fast fashion, porque ser ambientalista é muito mais in neste momento.

Gostava também de propor que o personagem principal fosse às compras e que demonstrassem que ser magro é difícil e nada inclusivo. Pode-se comer seis donuts por 2 euros, mas um pãozinho de centeio com sementes é coisa para custar 2,5 euros.

E, já agora, Super-Homem... “Homem” está carregado da óbvia masculinidade tóxica. Porque não “Homx” ou “H@mx”?

Pergunto-me ainda se a próxima Mulher-Maravilha vai ser lésbica, militante do Bloco de Esquerda, sem depilação e coberta de tatuagens? Mas calma... não podemos discriminar nem ignorar as questões de saúde mental. Portanto, calculo que, no primeiro quadradinho, a querida esteja a tomar um Sedoxil e a sair da consulta do psicólogo.

Os desenhos animados tornaram-se homossexuais, bissexuais, pansexuais e outras mil designações sexuais que ainda estão por inventar.

Há quem lhe chame o resultado dos radicalismos de esquerda, eu chamo-lhe o resultado da parvoíce. E atenção... parvo não tem quadrante político. A direita está escandalizada com a libertinagem a que somos expostos, a esquerda reivindica uma liberdade utópica, os cristãos benzem-se e anunciam a chegada do Anticristo, os muçulmanos entram em conversações com os criadores do Homem de Ferro... ou, pelo menos, assim espero. Seria magnífico ver o Tony Stark de rabo para o ar em pleno Ramadão.

Os capitalistas do marketing que, como eu, ganham a vida com as vossas compras passam agora mais tempo a pensar em que minoria podem estar a ofender do que propriamente a criar conteúdo. É triste pensar que certos programas de humor do início do milénio hoje resultam em centenas de queixas à ERC e resultante censura. Lembro-me de “Último a Sair”, em que tínhamos a gorda, o brasileiro e outros tantos personagens que hoje são simplesmente proibidos.

Chego à conclusão de que, nessa altura, éramos mais livres, mais autênticos e, sobretudo, mais verdadeiros. Gostaria de acabar este texto com uma reflexão pessoal, mas o facto de ser branca, gorda, heterossexual, cristã e portuguesa pode vir a ofender alguém.

Sendo assim, até à próxima.

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