Opinião

A capa veneziana de António Costa já é curta para tapar o caos na saúde

Nuno Piteira Lopes


Após o “golpe palaciano” de 2015, que converteu a decisão de mais de cinco milhões de portugueses na vontade de apenas 122 deputados, Portugal mergulhou no maior problema ideológico desde o Estado Novo. António Costa, para chegar ao poder, negociou com as duas forças mais extremistas do então elenco parlamentar para, assim, conseguir uma maioria que pudesse tirar Pedro Passos Coelho, vencedor das eleições, do lugar de primeiro-ministro, assumindo o próprio o destino de Portugal e dos portugueses.

Costa, com a sua fome de poder, abdicou de toda a ideologia que pautou a história do Partido Socialista para se vender à ideologia que Mário Soares, fundador do PS, tanto lutou para evitar, abrindo, desta forma, a porta ao comunismo e à ideologia mais radical da esquerda nacional. Com a construção da geringonça, Costa iniciou um caminho ideológico que nem o próprio, tal como veio a comprovar-se recentemente, queria percorrer.

Pelo poder a qualquer custo, Costa não teve receio de negociar com o “diabo”, vendendo-lhe a sua alma e a alma dos portugueses. Hoje, em 2022, a grande factura do capeta começou a chegar e quem vai pagá-la, como sempre, são os contribuintes.

A saúde é um dos casos mais recentes e flagrantes. A cegueira ideológica que atacou as instituições privadas de uma forma violenta, acabando com o máximo de parcerias público-privadas (PPP) que conseguiu, trouxe resultados para a saúde totalmente catastróficos. O melhor exemplo dessa cegueira ideológica é o Hospital de Braga, que de melhor hospital do país, sob gestão de uma PPP, passou a ter uma urgência caótica, onde alguns serviços, por falta de pessoal, são regularmente suprimidos. Por culpa dessa cegueira, são cada vez menos os contribuintes com acesso a um médico de família e são, cada vez mais, os cidadãos a terem de recorrer ao privado para poderem ter uma saúde com a dignidade de que precisam.

António Costa rebentou com o SNS e sabia, desde o início, que o percurso que aceitou percorrer, sob orientação de PCP e BE, teria este destino. Não pode, por isso, alhear-se das suas responsabilidades. A sua capa veneziana, que usa para esconder os seus truques de ilusionismo político, não é suficientemente grande para tapar as suas responsabilidades no caos em que a saúde está mergulhada.

Costa tem de aproveitar estes quatro anos de mandato que ainda tem pela frente, solto das amarras ideológicas dos radicais de esquerda, para avançar, sem os habituais truques de ilusionismo, com as reformas necessárias para a saúde, pois os portugueses não servem só para pagar impostos. Merecem um futuro diferente do presente que estes últimos seis anos de cegueira ideológica lhes deram.

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